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Você acredita no Dr. Google?

Quando surge uma dorzinha, quem você procura primeiro: o seu médico ou o Dr. Google? Se a sua resposta foi a segunda opção, cuidado! Você pode estar em perigo. Confira aqui como essas “consultas” cibernéticas podem ser mais perigosas do que você imagina

Por Lara Martins

Você sente uma dorzinha diferente ou nota uma marca na pele e não pensa duas vezes: acessa a internet para descobrir do que se trata e o que fazer. Ali, descobre inúmeros links com informações de diferentes doenças e muitas pessoas (que aparentemente passaram pelo mesmo que você) compartilhando experiências, diagnósticos e tratamentos. E, assim, a pesquisa torna-se praticamente uma consulta on-line. Fácil, sem sair de casa, sem enfrentar sala de espera. Soa familiar? Com certeza a maioria de vocês se identificou com a cena. Mais precisamente, 95% das pessoas se identificam com a situação acima. “Isso acontece e é cada vez mais comum. 95% da população funciona assim, de perfis diferentes, desde o menos esclarecido – que não tem acesso a médicos e que precisa esperar dias para marcar uma consulta e horas na fila para ser atendido, até pessoas com mais esclarecimento”, afirma o psiquiatra Leonard Verea (SP).

É comum, mas será correto? É fácil, mas será confiável? O fato é que não tem como fugir, as informações estão ali ao nosso alcance e nós estamos aqui com a ansiedade comendo solta, nos deixando loucas para fuçar e descobrir um pouco mais sobre “nossos sintomas”. A questão, então, não é fugir da internet, mas saber como usar o famoso Dr. Google a nosso favor.

Os dois lados da moeda

Não podemos negar que o fácil (e rápido!) acesso a uma infinidade de informações disponíveis na internet é uma grande vantagem para quem busca qualquer tipo de resposta. “Hoje em dia o acesso à informação é mais disponível e bem mais frequente. Por isso, é bastante comum que um paciente chegue ao consultório se achando mais esclarecido sobre o assunto que ele foi tratar ali com o seu médico”, afirma o Dr. Leonard Verea. Porém, quando dizemos “infinidade de informações” estamos sendo literais. Uma simples pesquisa por “dor nas costas”, por exemplo, nos dá 591.000 resultados; e quando digitamos “remédio para dormir” temos a nossa plena disposição nada menos que 3.080.000 links com possíveis ajudas para termos boas noites de sono. Já imaginou quantas dicas, orientações e palpites existem ali? E é justamente aí que mora o perigo. Como saber qual a melhor opção para o nosso caso e que não coloque a nossa saúde em risco?

Na internet, há notícias médicas genéricas que não necessariamente são aplicadas ao seu caso, bem como há experiências pessoais que não necessariamente são iguais às suas. Sabe aquela batida frase “cada caso é um caso”? Pois trate de levá-la a sério.

A falta da experiência e de um olhar médico para o seu caso, com as devidas avaliações e exames, podem levar aos temidos e temíveis diagnósticos errados e automedicação. “Os riscos de o paciente se automedicar são inúmeros, são efeitos colaterais como alergias, convulsões, taquicardia, irritabilidade, síndrome do pânico, fotosensibilidade e até mesmo choque anafilático. É um perigo o paciente se automedicar sem saber o que realmente precisa. Em relação ao diagnóstico pior ainda.Tem que procurar um médico e receber a orientação adequada. Algumas lesões que parecem simples podem até mesmo ser um câncer ou sintoma de alguma doença”, dermatologista Mônica Linhares (RJ). Portanto, nem pense em desdenhar aquela “manchinha” boba que apareceu na sua pele (que pode ser desde uma micose até um sinal de câncer de pele) e achar que pode resolver o casa com pasta d’água, como disse o Dr. Google. Por menor que pareça o problema, somente um médico irá saber avaliar a sua real gravidade.

O que muda para o paciente

Devemos, então, fazer dessa oferta uma aliada. Podemos até dar uma olhadinha, mas esta não deve jamais substituir a consulta. Ao clicar em “buscar” é importante acionar também o botão do bom senso e não se contentar apenas com a pesquisa. “Os pacientes precisam procurar profissionais qualificados para encontrar um diagnóstico preciso”, alerta o Dr. Leonard Verea. E complementa: “o Google serve como muleta, as informações estão lá e o paciente pode acessá-la.”

Quem está com dor está fragilizado, inseguro e ansioso, por isso a consulta virtual não pode substituir a consulta médica. Nestas condições de vulnerabilidade, vale ressaltar, nós, leigos, tendemos a enxergar o problema maior do que realmente é e facilmente uma simples dor de cabeça pode se tornar algo mortal se nos deixarmos levar por todas as informações ali disponíveis. Quem colocará o limite é a ponderação e o médico.

O que muda para os médicos

E se o Google pode ser aliado dos pacientes, não deve ser visto como um concorrente da classe médica. Com ele, os pacientes podem se informar mais, esclarecer mais dúvidas, estar mais ciente de suas condições. Com isso, a própria postura do médico está mudando, eles estão mais didáticos e mais claros. “Como o paciente chega mais esclarecido, tenho de estar mais armado e com mais ferramentas à disposição para atender melhor”, comenta o Dr. Leonard Verea. Também é dever do médico certificar-se de que as informações colocadas em seus sites são corretas. Porque Google não tem CRM, mas os médicos têm e são responsáveis pelo que é publicado em seus espaços.

Sua saúde por um clique

Listamos cinco dicas para que você não caia das armadilhas da internet e coloque sua saúde em risco:

1. Evite confiar plenamente na informação que você encontrou na internet. Não é possível garantir que 100% do que está escrito seja correto, então sempre busque diferentes fontes, compare informações e mantenha um pé atrás até confirmar com o seu médico – nele, sim, você pode confiar.

2. Lembre-se que as chances de as informações serem de confiança são maiores se buscar em fontes de credibilidade. Procure em sites de clínicas e médicos conceituados, associações e universidades.

3. Procure sempre o médico. “É essencial a confirmação do diagnóstico correto para instituir o tratamento adequado até mesmo em queixas estéticas”, alerta a dermatologista Mônica Linhares.

4. Você pode até ter lido muito sobre um determinado assunto, mas isso não faz de você um expert. Ou seja, não se considere doente até passar pelo médico e realizar todos os exames necessários.

5. Nem você, nem a internet e nem o farmacêutico do seu bairro estão aptos para receitar remédios. Deixe essa função nas mãos de quem estudou anos e anos para fazer o diagnóstico correto e indicar a medicação mais apropriada para o seu caso.