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Preparada para envelhecer?

Nem todo mundo aceita com facilidade que o tempo pass a e que vamos ficar velhos. Para algumas pessoas, ele é sinônimo de experiência. Outras o encaram como um inimigo a ser combatido

Por Raquel Maia

A partir do primeiro dia de vida, entramos em um processo sem volta: o do emvelhecimento. Por mais que a tecnologia esteja avançada, ainda não se descobriu uma máquina fantástica capaz de fazer o relógio parar… ou retroceder. O escritor francês Charles Augustin Saint-Beuve já dizia que “envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo”. Mas então por que um acontecimento tão natural da vida e tão inerente ao ser humano, hoje é visto como um grande vilão? “Na verdade, a noção de tempo mudou. A velocidade com que se exigem mudanças, atualizações e informações é muito acelerada e estressante. É como se o presente, há alguns anos, durasse da semana passada até a semana que vem. Hoje ele dura no máximo dez minutos e ai de você se perder ‘este bonde’. A cobrança é enorme e os prejuízos podem ser grandes. Tentamos correr freneticamente atrás da última moda em cabelo, roupas, lugares, livros, filmes, notícias, para nos sentirmos sempre antenados, atuantes, interessantes, sedutores e fazendo parte deste aqui e agora dos próximos dez minutos”, explica o psicólogo Max Saadia (SP), que também é psicoterapeuta e consultor em desenvolvimento pessoal.
E podemos ir mais além. “Antigamente, as mulheres não tinham a vontade que as de hoje têm em se cuidar. As de 40, 45 anos eram vistas como senhoras e aceitavam envelhecer com mais facilidade. Hoje, nessa idade, elas estão começando a viver. Mudou todo um contexto social, a mulher ganhou o mercado de trabalho, até o pensamento dos homens mudou. Atualmente elas são supervalorizadas e não aceitam que sua aparência mude. A medicina está transformando o indivíduo conforme o seu sonho. A partir do momento que todos esses valores foram mudando, surgiu o conceito de que não existe mulher feia, existe mulher descuidada”, avalia a psicóloga Mônica Mathias de Faria (SP).

Nem parece a idade que tem
A ideia de juventude eterna não é nada nova. Nossos antepassados já tinham esse sonho. Tanto é que a medicina desenvolveu inúmeros recursos para retardar o envelhecimento, graças às descobertas de medicamentos que garantissem uma vida mais longa. No que diz respeito à estética, então, a tecnologia vem trabalhando a todo vapor para conseguir ótimos resultados. Hoje, com a oferta de cosméticos e tratamentos estéticos, a idade cronológica virou um mero detalhe. Aquela imagem da mulher de 60 anos que tínhamos antigamente caiu por terra. Nada mais de rugas em excesso ou ficar em casa cuidando dos netos. Tudo mudou. “Hoje em dia parece ridículo você se sentir velha aos 60 anos de idade. Você pode, e deve, sedar o direito de curtir muito mais a vida, de fazer novas descobertas, de escolher um novo hobby, viajar, compartilhar novos amigos, não ficar tão presa às responsabilidades familiares de filhos, netos, etc. Ou seja, você adquiriu o pleno direito de reinventar-se sem culpa. Isso talvez seja a receita da beleza e principalmente da mulher madura, que permanece sempre encantadora”, diz Max Saadia. Mas há algo de contraditório nesta busca pela juventude eterna. Será que o ideal pela aparência sempre jovem nos faz esquecer os cuidados básicos com o futuro? E não estamos falando somente das ruguinhas…

Bonita por natureza
“Não há nada de errado em cuidar da aparência, muito pelo contrário. O problema está no excesso, quando a pessoa foca apenas o corpo se esquece de cuidar outros aspectos, como a mente e a alma”, diz a psicóloga Mônica Mathias de Faria.
A saída para isso: autoconhecimento. “Quando uma pessoa percebe que está com dificuldade em aceitar que o tempo está passando, isso pode ser trabalhado em terapia”, conta a psicóloga. Com a ajuda de um profissional, é possível buscar em si mesmo outros aspectos positivos que não são apenas a aparência externa. Afinal, há muito o que valorizar, como a experiência de vida, a beleza interior, suas novas buscas, seus novos obstáculos e objetivos. “Corpo, mente e alma precisam estar em harmonia para ser alguém completo. Quem quer saber de cuidar apenas do corpo, acaba refém dele”, lembra a especialista.
A depressão pode ser uma das consequências dessa desarmonia. “O espelho é o melhor amigo do homem porque ele só reflete mas não julga. O problema não é o espelho, é você que julga o reflexo”, conta o psicólogo Max Saadia. E ele ainda sugere: “Procure encarar o espelho sentindo-se bem consigo mesma, faça sempre uma leitura positiva, se elogie em voz alta se for preciso. Se você estiver bem consigo mesma, cada detalhe do seu rosto terá uma história boa para contar”.

Saúde para dar e vender
“O envelhecimento é fisiológico. O indivíduo vai ter uma vida mais longa e de melhor qualidade se ele se cuidar”, conta o médico Luis Guereschi Filho (SP). Mas muitos jovens de hoje, com a ideia (errada) de que serão jovem para sempre, ignoram os prejuízos causados pelo cigarro, álcool, exposição ao sol sem proteção, má alimentação e a vida sedentária. A urgência de viver o hoje, muitas vezes, leva a prevenção para o segundo plano. É o seu caso? Veja, a seguir, se você tem observado os seguintes aspectos:
• Check-up > ele é importante para se prevenir com relação a uma doença não diagnosticada. Afi nal, quanto mais cedo você detectar algum problema, mais fácil você o controla. “O corpo vai sofrendo desgaste. Com o controle, é possível minimizar estragos ou reparar danos”, conta o Dr. Guereschi. Para saber quando se deve fazer check-ups, uma boa dica é avaliar seu histórico familiar. Se uma mulher tem casos de câncer ginecológico na família, por exemplo, é bom visitar o ginecologista com mais frequência. Para quem tem pais hipertensos, o especialista sugere começar a fazer avaliações anualmente, a partir dos 25 anos de idade.
• Alimentação > tem de ser equilibrada e de acordo com o seu ritmo de vida. Lembre-se: se você pratica atividades físicas, deve se alimentar adequadamente. Um nutrólogo ou nutricionista pode dar a melhor orientação para o seu caso.
• Atividade física > “bem dosada, ela garante qualidade de vida, dando força, resistência, fl exibilidade. Se for desregrada, pode causar lesões, até fratura por estresse”, conta o médico. Aliada a todos os outros cuidados, a atividade física é ponto essencial para manter o corpo bom, bonito e saudável por mais tempo.
• Cuidados com a pele > tudo começa com a hidratação via oral. Ou seja, é mais que verdadeira aquela história de que beber água só faz bem, para a pele, inclusive. Hidratação externa, com cremes, também ajuda, é claro. E, como não poderia deixar de ser, proteção solar sempre, com um produto de acordo com seu tipo de pele e estilo de vida – se você pratica atividades ao ar livre, por exemplo, deve reforçar na proteção diária. Por fi m, procure um dermatologista para que ele indique os cosméticos adequados.
• Atenção com o exagero > os tratamentos estéticos são bons, mas é bom evitar o excesso. As pessoas que tomam esteroides, por exemplo, podem desenvolver problemas cardíacos e hepáticos. O maior apelo é sempre o estético, mas as boas clínicas e profi ssionais têm a responsabilidade de orientar o paciente às implicações dos procedimentos, inclusive psicológicas. “Como redução do estômago, por exemplo. Quem faz, tem uma mudança muito grande em todos os aspectos. É preciso dar orientação e apoio psicológico.”

Muito dinheiro no bolso
Cultuar o hoje, muitas vezes, signifi ca gastar mais do que se ganha e ter preocupação zero com uma vida fi nanceira estável nos próximos anos. Mas de que serve uma aparência eternamente jovem se seus recursos fi nanceiros forem escassos lá na frente? É certo que ninguém quer viver apertando o salário aqui e ali ou privando-se de bons momentos. Para que o futuro esteja tranquilo neste sentido, quanto antes você começar a se preocupar com as finanças, melhor. Gastar como se não houvesse amanhã, além de imprudente, pode ser um tiro no pé daqui a algum tempo. Não se trata de renunciar a todos os prazeres do aqui e agora. Mascom algum planejamento, é possível ter um pouco de sossego neste departamento. Veja o que você pode fazer desde já:
• Faça uma previdência privada. Contar apenas com a aposentadoria do governo nem sempre é animador. Por isso, uma boa alternativa é você mesma investir em uma quantia mensal para garantir um bom orçamento quando parar de trabalhar. Converse com o gerente de seu banco e confi ra todas as opções.
• Planeje seu orçamento hoje. Ao colocar no papel todos os seus débitos (todos mesmo!), fi ca mais fácil identifi car se você anda gastando mais do que ganha. Veja onde pode cortar e terá uma surpresa: é possível sobrar algum no fi m do mês para ser guardado.
• Invista com segurança. Antes de aplicar seu dinheirinho suado, uma boa dica é contar com um consultor fi nanceiro. Ele pode ajudá-la a decidir qual o melhor investimento.
• Gaste com inteligência. Comprar roupas, sapatos e acessórios é muito bom. Mas lá se vai um dinheirão. Coloque na ponta do lápis o que você tem comprado nos últimos tempos e compare: será que não dava para guardar este dinheiro para algo maior ou investir, por exemplo, em um curso importante? Pense nisso.

JOVENS. . . E PERFEITOS
Com essa mudança no comportamento da população, não é de se estranhar que até mesmo os que estão em plena juventude acabem exagerando na busca pela beleza. Não basta ser jovem, hoje, é preciso ser “perfeito”. com essa ideia na cabeça, é cada vez maior o número de adolescentes nos consultórios dos cirurgiões plásticos. “Jovem não pensa muito no amanhã, isso é típico da fase. eles não pensam, por exemplo, nas consequências de uma cirurgia plástica”, conta a psicóloga mônica mathias de faria. Para isso, é preciso orientar adolescentes desde cedo a valorizar outras coisas além da beleza exterior, a ter uma vida saudável, mas sem a neurose com o corpo. “a pressão que os adolescentes sofrem em relação à estética sempre existiu. a diferença é que hoje as facilidades e recursos médicos estão mais acessíveis. acho que nos casos em que o adolescente tem um problema estético que esteja acarretando um problema sério em sua autoestima e que isso possa ser resolvido com uma plástica, ela é aconselhável, mas cabe aos pais e ao médico avaliarem cada caso com responsabilidade”, alerta Max Saadia.