Celulite: novas regras de combate!
29 de outubro de 2010
Dossiê – lipoaspiração
29 de outubro de 2010
Mostrar Todos

Nem tudo é psicologico

Apesar de estarmos em pleno século 21, muitas pessoas ainda discriminam os portadores de problemas neurológicos. Muitas vezes, tal atitude é decorrente de preconceitos ou puro desconhecimento do que realmente são tais doenças

Por Malu Bonetto


Recentemente, o ator Bruno Gagliasso viveu o jovem esquizofrênico Tarso, na novela Caminho das Índias, exibida pela Rede Globo. Apesar de ser uma doença bastante conhecida, poucos sabem exatamente do que se trata. Por isso, a divulgação da esquizofrenia na novela ajudou a esclarecer um pouco mais desse transtorno, um dos mais comuns entre a população brasileira – estimativas apontam que 1,4 milhão de brasileiros são afetados. Mas, engana-se quem pensa que problemas neurológicos resumem-se apenas à esquizofrenia; existem diversas outras doenças que também fazem parte deste grupo. Infelizmente, ainda há quem pense que esses problemas são pura frescura de quem os apresenta. Enquanto, na realidade, são situações bastante delicadas de serem enfrentadas no dia-a-dia. Essas doenças neurológicas têm diferentes causas – a origem pode ser completamente desconhecida, vir de herança genética ou acontecimentos da vida, entre outras – e nem sempre há meios para evitá-las. Geralmente, o problema acaba se refletindo nas pessoas ao redor, já que familiares e amigos ficam bastante envolvidos com o portador e seus cuidados. Mas, uma coisa é certa, estes pacientes precisam de acompanhamento médico e, principalmente, merecem respeito de todos nós. Afinal, seguindo o tratamento mais indicado não oferecem perigo algum a ninguém. Confira alguns dos principais transtornos, suas causas, prevenção e tratamento.

Depressão
O que é: “poderia ser explicada como se a pessoa visse sua vida e o mundo ao redor através de óculos de lentes cinza, ou seja, nada fica colorido, a vida perde o brilho, nada parece bom, a pessoa se sente incapaz de se sentir feliz e não consegue sentir- se bem apesar do que faça”, exemplifica o psiquiatra Bruno Mendonça Coelho (SP). Os sintomas da depressão são muitas vezes confundidos com preguiça, desinteresse e falta de caráter por parte dos portadores, mas é uma doença séria que chega a afetar a maneira como a pessoa raciocina. Causas: pode ser por influência genética, do ambiente externo (situações de estresse) ou características de personalidade.

Sintomas: são inúmeros os sinais que o depressivo pode apresentar, entre eles tristeza constante; diminuição marcante do prazer, interesse ou satisfação pela maioria das atividades da vida (também chamado de anedonia); alteração do sono; alteração significativa do apetite ou do peso; falta de energia ou fadigabilidade para as atividades habituais; dificuldade de iniciar as tarefas; ideias de morte ou de suicídio; baixa autoestima; dificuldade em se concentrar ou prestar atenção; dificuldade de raciocinar e tomar decisões; distúrbios psicomotores (agitação ou lentificação). “Para diagnosticar a depressão, é preciso ter ao menos cinco desses sintomas, sendo que ao menos um deles é humor depressivo ou anedonia. Mas não basta apenas apresentá-los, eles devem ocorrer na maior parte do tempo e na maioria do dias por pelo menos 15 dias”, complementa o Dr. Bruno Coelho.

Prevenção: indica-se manter uma rotina de atividades físicas, o círculo social e de amigos e um trabalho gratificante para ajudar na prevenção da doença. Se mesmo assim a depressão se instalar, estas medidas ajudam na melhora do quadro do paciente.

Tratamento: geralmente, indica-se o uso de remédios antidepressivos associados à tratamento psicoterápico. Porém, é comum existirem casos em que apenas as sessões de psicoterapia é suficiente. Apesar de a depressão ter cura, o paciente precisa manter-se sempre alerta, pois existe a possibilidade de ter recaídas, daí a importância de associar a psicoterapia ao remédio.


Esquizofrenia

O que é: significa divisão, ou seja, a mente da pessoa não cria uma separação entre o bom e o mau, o certo e o errado, o real e o irreal. “Por isso, normalmente, tem alucinações, sempre acha que tem alguém a perseguindo, se sente invadida por alguém. O esquizofrênico não tem estrutura psíquica formada no seu próprio eu”, explica a psicoterapeuta Maura de Albanesi (SP).
Causas: pode começar repentinamente e eclodir em uma crise inesperada ou começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica. Entretanto, geralmente, os primeiros sintomas acontecem depois de um episódio marcante na vida da pessoa.
Sintomas: os sinais apresentados são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa, insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. Em um estágio mais avançado, o paciente poderá apresentar alteração de humor muito severa, pensamentos não compatíveis com a realidade ou alucinações que podem se tornar um perigo a ele e ao meio em que vive.
Prevenção: o apoio psicoterapêutico pode ajudar a pessoa a perceber em si se os conteúdos do seu inconsciente são alucinações ou não. “Uma vez que ela consegue perceber o que é produto de sua mente, poderá mais facilmente aprender a lidar com o problema e viver sem muitas crises”, complementa a Dra Maura.
Tratamento: não há cura, mas dependendo do grau da doença é possível controlar os sintomas com medicação e psicoterapia.

Transtorno bipolar
O que é: caracterizado pela alternância de humor, este transtorno pode fazer com que o paciente vá da depressão à euforia, da alegria à tristeza, da paciência à irritabilidade. “Mas, não devemos confundir com as alterações de humor que passamos no nosso dia-a-dia devido às dificuldades no trabalho, na família, no trânsito, entre outras. Estas alterações são momentâneas, portanto, normais”, alerta a psicoterapeuta Maura de Albanesi.
Causas: a causa propriamente dita do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas sabe-se que existem fatores que influenciam ou precipitam o seu surgimento, são eles: fortes emoções, saída da rotina de maneira inesperada, poucas horas de sono e hereditariedade. Daí a importância de analisar o histórico familiar para um diagnóstico perfeito da doença.
Sintomas: alterações de humor repentinas e sem nenhuma causa ou em intensidade maior do que a maioria das pessoas.
Prevenção: como o desenvolvimento dos sintomas depende de episódios que acontecem durante a vida da pessoa, o ideal para quem tem a propensão a apresentar o transtorno bipolar é manter uma vida com qualidade e acompanhamento psicológico.
Tratamento: apesar de não ter cura, atualmente, o transtorno bipolar é perfeitamente tratável e mantido estável com o uso de estabilizadores de humor, como carbonato de lítio, ácido valpróico / valproato de sódio / divalproato de sódio, lamotrigina, carbamazepina e oxcarbazepina. Em alguns casos, o médico recomenda o uso de antipsicóticos ou antimaníacos e tratamento psicoterápico com profissionais especializados no assunto.

Transtorno de déficit atenção e hiperatividade (TDAH)
O que é: doença também bastante conhecida como Distúrbio do Déficit de Atenção. Ela é um transtorno neurobiológico que surge durante a infância do portador e costuma acompanhar o indivíduo ao longo de toda a sua vida.
Causas: hereditariedade, problemas pré-natais, uso abusivo de álcool e drogas durante a gestação são as mais comuns.
Sintomas: inquietude, impulsividade, hiperatividade, dificuldade de concentração, atenção extrema naquilo que lhe interessa, instabilidade na carreira profissional e outras.
Prevenção: praticar exercícios físicos regularmente e manter uma vida social equilibrada, ou seja, buscar manter uma boa qualidade de vida. Exercitar a memória também ajuda.
Tratamento: se dá com a precrição de medicamentos específicos para o problema aliado com a terapia individual.

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
O que é:
transtorno psiquiátrico caracterizado pela presença repetida de obsessões ou compulsões.
Causas: só são descobertas com a terapia.
Sintomas: comportamentos repetitivos, desde os mais comuns como mania de limpeza e verificar se uma porta está fechada até lavar a mão repetidamente.
Prevenção: ter uma boa qualidade de vida, isto é, evitar situações de estresse e buscar sempre o autocontrole.
Tratamento: apesar de não ter cura, aliar medicamentos antidepressivos e psicoterapia pode melhorar a qualidade de vida em mais de 80% dos pacientes e alguns casos chegam à eliminação completa dos sintomas. Mas a possibilidade de recaídas também é expressiva, portanto os cuidados devem ser constantes.

Síndrome do pânico
O que é: transtorno psiquiátrico que se caracteriza por vários episódios de pânico, sendo que um deles é caracterizado por um medo intenso, muita ansiedade e a sensação de que vai morrer, ter um tipo de ataque ou enlouquecer. Estas sensações ocorrem de repente e atingem seu pico em, no máximo, dez minutos.
Causas: pode ser por influência genética, do ambiente externo (situações de estresse) ou características de personalidade.
Sintomas: dentre os sintomas físicos destacam-se palpitações, taquicardia, tremores, sudorese, sensação de falta de ar ou asfixia, abalos, dor ou desconforto torácico ou abdominal, formigamentos, ondas de calor ou de frio, sensação de estar saindo de si mesmo ou do mundo não ser real. Em alguns casos, as pessoas passam a ter medo que um ataque de pânico ocorra e acabam evitando sair de casa, ir a lugares fechados e ficar sozinhos, passam a restringir suas atividades por medo de ter outro ataque e não poderem ser socorridos”, explica o Dr. Bruno Coelho.
Prevenção: o ideal é fazer a identificação precoce dos sintomas o mais rápido possível para reduzir ao máximo o impacto da doença.
Tratamento: o mais eficaz é a associação de tratamento farmacológico com psicoterapia. A síndrome do pânico tem cura, mas pode haver recidivas em alguns momentos.

Na prateleira

Alguns livros abordam esses temas de forma bem leve e esclarecedora, ideal para quem é leigo no assunto e deseja aprender um pouco mais.