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Contraceptivos de longa ação

Ao pensar em como evitar a gravidez, a pílula é sempre a primeira opção lembrada. Mas, hoje já existem inúmeros métodos contraceptivos que se adaptam facilmente a cada organismo

Por Malu Bonetto

Conhecidos como LARCs (Long Acting Reversible Contraception ou Contracepção Reversível de Longa Duração, em português), esses contraceptivos atrelam facilidade de utilização ao bloqueio da fertilidade pelo tempo desejado, ou seja, oferecem contracepção por muito mais tempo sem exigir compromisso periódico e permitem o retorno da fertilidade depois da sua retirada, geralmente após a próxima menstruação.
Há três opções disponíveis, o implante subcutâneo, o dispositivo intrauterino (DIU) com cobre e o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel – um DIU com hormônio. A seguir, a ginecologista Cristina Guazzelli, professora da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, esclarece as principais dúvidas sobre esse tipo de contracepção.

Como são esses contraceptivos?
O implante é um bastonete de 4 cm de comprimento, produzido por um material plástico especial flexível e estéril, e inserido no braço não dominante, embaixo da pele. Contém em sua composição um hormônio sintético, chamado etonogestrel que já é muito utilizado nas pílulas anticoncepcionais. Já o dispositivo intrauterino (DIU), tanto o DIU de cobre quanto o DIU com hormônio (progesterona), são colocados dentro do útero, na cavidade intrauterina.

Como funcionam?
A progesterona, hormônio contido no implante, é liberada gradualmente no organismo, com a função de inibir a ovulação, garantindo a contracepção e impedindo a gravidez. O dispositivo intrauterino, transformam o útero em um ambiente hostil aos espermatozóides, evitando a chegada dos mesmos até as trompas. Quando cofeccionado em cobre pode ser utilizado por até 10 anos e destrói os espermatozoides, impedindo sua penetração no útero. Já o DIU com hormônio libera por cinco anos a progesterona no útero gradualmente, alterando a secreção do colo uterino impedindo e dificultando a penetração dos espermatozoides. O uso de qualquer um deles é reversível, ou seja, pode ser interrompido se houver o desejo pela maternidade em qualquer momento. Quando retirados, ocorre o retorno da fertilidade pré-existente imediatamente ou logo após não importando por quanto tempo a pessoa utilizou o método.

Eles servem apenas para contracepção?
A função de todos eles é garantir a contracepção e impedir a gravidez, mas podem ter outros benefícios, como melhorar a cólica menstrual, diminuir o sangramento, melhorar tensão pré-menstrual.

São 100% eficazes?
Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, mas as taxas de falha dos LARCs são realmente baixas, quando analisamos a eficácia dos métodos. A eficácia teórica destes métodos é muito parecida com a eficácia da vida real. No caso do implante, estima-se que haja uma gravidez em cada 2 mil mulheres que utilizaram o método durante um ano, o DIU de cobre uma gravidez em cada 125 mulheres que utilizaram o método durante um ano e, no DIU com hormônio uma gravidez em cada 500 mulheres que utilizaram o método durante um ano.

Quem pode usar esse tipo de contracepção?
A princípio, todas as mulheres mesmo porque há poucas situações em que os LARCs são contraindicados, por isso há necessidade de avaliação médica. A escolha do melhor método para cada mulher deve ser feita sob orientação médica, após informação sobre todos anticoncepcionais, discussão sobre seus benefícios, riscos com avaliação das suas necessidades e preferências.

Há problemas para engravidar, após a remoção?
Não. A recuperação da fertilidade pré-existente ocorre em seguida à retirada de qualquer um dos métodos, permitindo que a mulher engravide após a próxima menstruação caso não haja fatores clínicos precedentes que dificultem a concepção.

É importante lembrar que a camisinha (masculina ou feminina) é o único método que previne contra as doenças sexualmente transmissíveis.