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Liberte-se do medo!

A onda de assaltos a restaurantes está levando muito gente a querer ficar trancada em casa. E quando pensam em sair, já sentem tremores, coração acelerado, suor excessivo e um medo exagerado de estar entre estranhos. Afinal de contas, elas podem ser a próxima vítima! Se você identificou-se com o quadro, atenção: o medo da violência pode estar lhe deixando com a síndrome do pânico

 

Por Fernanda Dragone

O cenário pode ser o de um assalto violento como pode ser o de um fim de semana no campo, sem estresse e longe dos problemas. Sem aviso ou motivo aparente, a síndrome do pânico aparece, doença mental que tem como principal característica a ocorrência espontânea e inesperada de ansiedade e medos intensos, afeta 5% da população mundial e pode levar a pessoa a acreditar que irá morrer. Com sintomas como aceleração da frequência cardíaca, suor excessivo, tontura, tremores, formigamentos e ondas de frio e calor que percorrem os membros, tudo o que a pessoa quer quando é acometida por essas sensações é, literalmente, sair correndo. Em uma fração de dez minutos, a síndrome atinge seu pico, podendo levar até duas horas para deixar a pessoa novamente em seu estado normal. “No pânico, o organismo reage como se estivesse frente a um perigo, porém não há nada visível que possa justificar esta reação. A pessoa reage com ansiedade extrema frente às sensações de seu próprio corpo, há um estranhamento e um grande susto em relação ao que é sentido dentro da pele. Após o primeiro episódio de pânico e pessoa começa a ter medo de sentir medo e os sintomas da doença novamente. Assim, se afasta de vários afazeres podendo chegar a ficar presa em casa”, explica a psicanalista Tatiana Ades (SP).

Mulheres na mira

Ainda não existe estudos que confirmem os motivos que fazem a doença aparecer com maior incidência em mulheres, mas já é comprovado que a síndrome do pânico afeta até três vezes mais a ala feminina, se comparado aos homens. “Em geral, as mulheres são realmente mais afetadas pelos transtornos ansiosos. Ainda não se sabe exatamente a causa dessa diferença entre os sexos, sabemos apenas que os ciclos hormonais exercem impacto considerável no curso da síndrome”, explica o psiquiatra Deyvis Rocha (SP).

Muito bem acompanhada

Por ser uma doença que aparece de forma inesperada, não tem como prevenir a síndrome do pânico, sendo apenas possível controlar os novos ataques com remédios e acompanhamento médico. Mas mesmo quando parece que tudo está sob controle, sair para dar uma voltinha, nem que seja no quarteirão, pode virar uma missão de risco iminente para quem sofre com a ansiedade excessiva do pânico. Nesses casos, pedir ajuda a alguém de confiança poder ser fundamental para voltar a ter uma vida social sadia e sem grandes transtornos. “Mesmo que a pessoa não esteja sozinha, é importante que se tenha percepção dos sintomas para que assim, exista um fortalecimento emocional e, consequentemente, um controle maior dos sentimentos e das reações físicas”, aconselha a psicóloga comportamental Paula Carvalho (SP). Por isso, os especialistas recomendam procurar ajuda logo que a síndrome dá seus primeiros sinais, evitando transtornos maiores tanto para quem sofre com a doença, como para quem convive lado a lado. “O importante é não retardar o seu tratamento e assim impedir as complicações da síndrome de pânico, como a agorafobia, que é a fobia de estar entre um grande número de pessoas. Os portadores de pânico evitam sair de casa e quando o fazem, precisam estar na companhia de alguém. Nem preciso dizer o quanto a vida da pessoa pode ficar complicada se uma situação dessas se desenvolve”, diz o Dr. Deyves Rocha.

É possível ter uma vida normal

Depois de ter a primeira crise, é muito importante que a pessoa saiba que procurar ajuda rápido pode fazer toda a diferença no tratamento. A síndrome do pânico não tem cura, mas pode ser controlada para o resto da vida. Técnicas de enfretamento e relaxamento, além da medicação, também podem ajudar muito na recuperação. “Quando o tratamento farmacológico é eficaz, ele deve continuar de um a dois anos. No entanto, deve-se ter em mente que a síndrome do pânico é uma condição crônica e que pode retornar após a parada do tratamento. O índice de recaída dos sintomas varia entre 30 e 90%, segundo diferentes estudos”, revela o psiquiatra Deyves Rocha.

Será que tenho síndrome do pânico?

Qualquer pessoa que passe por uma situação traumática como um sequestro relâmpago ou um assalto em um restaurante irá se sentir um pouco mais de medo para sair de casa no dia seguinte. Isso é normal e não quer dizer que esteja com síndrome do pânico. Mas se esse medo durar dias a fio, aí é motivo para ficar atenta. Analisar os sintomas de forma racional, depois que a crise passar é o primeiro passo para reconhecer o problema. Algumas pessoas chegam a dar entrada em hospitais achando que estão tendo um enfarto ou mesmo um derrame, quando na verdade as sensações já estão relacionadas com a síndrome. Se você sente calafrios, coração acelerado, dificuldade para respirar, tremores, principalmente quando está em lugares públicos, com muita gente, e a vontade de sair de lá correndo fica fora de controle, é bom procurar ajuda.

Aprenda a controlar seu medo

Ok, a gente sabe que o mundo fora de casa não é 100% seguro, mas isso também não é motivo para você se trancafiar dentro de um quarto e deixar de viver a vida plenamente, ao lado da família e amigos. Então, o primeiro passo para controlar o seu medo é respirar fundo e livrar a mente de pensamentos negativos. Além disso, coloque em prática as dicas abaixo e prepare-se para aproveitar a vida outdoor:

-Fique bem informada: saber o que está acontecendo com você é o primeiro passo para controlar a ansiedade.

-Evite o excesso de café e nicotina: essas duas substâncias podem contribuir para potencializar os sintomas do pânico.

-Faça yoga ou meditação: a prática desse tipo de atividade ajuda significativamente a manter a ansiedade em níveis normais.

-Pratique esportes: fazer natação, por exemplo, ajuda a manter a concentração.

-Tenha alguém por perto: se precisar fazer algo em lugares muito cheios, onde é possível desencadear a doença, peça ajuda de uma amiga ou parente. Isso lhe dará mais tranquilidade.

 

Leia essa e outras matérias na Plástica & Beleza n° 128.