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DIABETES: previna-se dessa adocicada doença

De acordo com o Atlas da International Diabetes Federation, cerca de 8% da população do nosso país  é portador de diabetes e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a população mundial com diabetes esteja acima de 380 milhões de pessoas, e deverá atingir mais de 470 milhões até 2035. Os dados são tão alarmantes e a população precisa se conscientizar dos males dessa doença e como preveni-la.

Por: Malu Bonetto

Muitas pessoas ainda associam a diabetes com a privação de alimentos gostosos, doses diárias de insulina (na sua maioria em forma injetável), necessidade de ficar controlando a taxa de glicose no sangue, ou seja, uma doença que de uma maneira ou de outra causa certa privação e dependência. Mas ser diabético não significa ser refém da doença, com os avanços na área da medicina e da alimentação já é possível manter uma vida “dita normal” desde que não se descuide da saúde. Mas afinal o que é diabetes? Esta doença metabólica leva ao aumento dos valores de glicemia no sangue, devido a ausência, deficiência e/ ou resistência à ação do hormônio (insulina) produzido pelo pâncreas.

Os portadores não conseguem metabolizar corretamente a glicose que está no sangue em energia já que a insulina (responsável por esta transformação) não é produzida corretamente). Para ser ter uma ideia, a glicemia (glicose no sangue) de jejum considerada normal é 100 mg/dl quando ela está acima de 126mg/dl há o diagnóstico de diabetes. Além disso, o diabético sente fadiga e falta de energia, pois o alimento ingerido transforma-se em glicose, mas não é fornecido para as células. Entre as pessoas com maior risco de desenvolver a diabetes estão as que têm obesidade, hipertensão, altos níveis de colesterol e triglicérides, usam medicamentos à base de cortisona, as que possuem familiares com a doença e não praticam atividade física regularmente.  “O fato é que o paciente leva um tempo até conseguir compreender e se adaptar à nova condição crônica. Mas, uma vez que se adapte à nova rotina, tudo fica mais fácil”, avalia a endocrinologista Denise Franco, pesquisadora do Centro de Pesquisas Clínicas (CPClin) e coordenadora do departamento de Novas Terapias da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

PRINCIPAIS SINTOMAS

Quando o nível de glicose no sangue está alto é comum a pessoa sentir: poliúria (quando a pessoa urina demais, consequentemente desidrata e acaba sentindo muita sede); aumento de apetite (mas mesmo assim há perda de peso); alterações visuais; infecções fúngicas na pele e nas unhas; feridas, especialmente nos membros inferiores, que demoram a cicatrizar; distúrbios cardíacos e renais; fadiga e dores nas pernas por causa da má circulação. Os maiores fatores de risco para o diabetes é a hereditariedade e a obesidade. Portanto, se uma pessoa tem familiares com diabetes não deve engordar. “Daí a importância de fazer exames periódicos garantindo que está tudo bem e, caso contrário, ter a oportunidade de tratar da maneira e tempo certo”, lembra a endocrinologista Priscilla Mattar, gerente médica da Novo Nordisk no Brasil. Vale a pena lembrar que não é o excesso de açúcar na alimentação que favorece o diabetes e sim o excesso de peso com concentração da gordura no abdômen.

DIFERENTES TIPOS DE DIABETES

  • Diabetes tipo I: doença autoimune na qual o organismo identifica as células beta produtora de insulina como corpos estranhos e as destroem. Neste caso, que geralmente aparece na infância e adolescência, o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina e por isso é preciso injeções diárias de insulina para regularizar o metabolismo do açúcar.
  • Diabetes tipo II: em geral, acomete as pessoas depois dos 40 anos de idade e há grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Apesar do pâncreas produzir insulina, as células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sanguínea. O tratamento pode ser feito com dieta e atividade física, medicamentos ou aplicação de insulina.
  • Diabetes gestacional: ocorre durante a gravidez e, na maior parte dos casos, é provocado pelo aumento excessivo de peso da mãe.

PREVENIR É A MELHOR OPÇÃO

Como a diabetes tipo 1 é autoimune não há como preveni-la, já no caso da tipo 2, é preciso manter o peso ideal, controlar a pressão arterial, evitar medicamentos que potencialmente possam agredir o pâncreas (cortisona, diuréticos tiazídicos), manter uma alimentação saudável e balanceada e praticar atividades físicas regulares já que eles auxiliam na redução dos níveis de glicemia no sangue e melhora a ação da insulina. Caso não haja controle da doença, ela pode evoluir e provocar cegueira, alteração da função renal, atrofias musculares, complicações cardiovasculares como infarto do miocárdio e AVC e, outros. Aqui fica um alerta: excesso de gordura no corpo, principalmente na região abdominal, aumenta os riscos de desenvolver o diabetes tipo 2. Portanto pegue a fita métrica e meça a sua cintura: homens não deve ter mais que 102cm já as mulheres 88cm.

TRATAMENTO

O tipo de diabetes é o que determinará o tratamento adequado, mas o objetivo sempre é manter regular o nível de açúcar no sangue durante todo o dia. No caso da diabetes tipo 1 o tratamento envolve injeções de insulina para manter esta regularidade, já para o tipo 2, na maioria dos casos uma dieta adequada já é o suficiente, mas pode ser sim necessário o uso de insulina ou outra drogas antidiabeticas via oral. Também é importantíssimo manter prática regular de atividade física, que pode ser uma caminhada de 30 a 40 minutos ou exercícios equivalentes. Para o médico Marino Cattalini, da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP), “a maior novidade deste ano no Brasil pode ser considerada a chegada ao mercado do aparelho que mede a glicemia através de um sensor conectado a um chip, que se encontra num adesivo aplicado ao braço e que permite saber os níveis de açúcar no sangue evitando a famosa ‘furada’ do dedo, que tanto incomoda os diabéticos”. Outra novidade é a insulina glargina U300, indicada para o tratamento do diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 em adultos. Ela proporciona ao paciente efeito estável e prolongado de controle do nível glicêmico para além de 24 horas. Trata-se de um aliado poderoso, por exemplo, nos casos de diabetes mellitus tipo 1, quando, no geral, recomenda-se a associação de uma insulina de ação lenta, como a insulina glargina U300, e outra de ação rápida, junto com as refeições. Já em pacientes de diabetes tipo 2, é possível realizar o tratamento apenas com uma insulina glargina de última geração. Para que o controle ideal do diabetes aconteça, é preciso que o paciente também invista em uma alimentação balanceada e na prática de atividade física regular, além do controle da glicemia e o uso medicação prescrita de forma contínua. Além disso, há uma preocupação por parte do Ministério da Saúde em estimular que se torne prioridade a perda de peso, entre os obesos, como forma de se obter mais qualidade de vida. Até porque, estudos apontam que são essas as únicas formas de se reduzir as complicações do diabetes.