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Controle o vício em compras

Está combinado que, além de perder 2 kg, toda mulher sempre precisa da última peça de roupa da temporada – mesmo que esta seja uma nada básica camisa de oncinha. Mas, bem no fundo, sabemos que o “preciso” não significa, de fato, uma necessidade. Veja o que fazer para libertar-se do título de shopaholic 

Por Lara Martins

Não é apenas a variação de clima que caracteriza a mudança das estações. As roupas também representam cada uma delas. Se no verão as peças são mais   alegres e curtas, no inverno são mais elegantes e sóbrias. Se hoje é o longo que domina, amanhã as pernas devem estar de fora. Assim é a moda, ela muda o tempo todo. Até aí tudo bem. O que precisamos é ter força para encarar as vitrines com todas essas novidades sem estourar o orçamento. Até porque, convenhamos, é difícil resistir levar tantas coisas lindas e novinhas em folha para o armário. Algumas de nós conseguem. Outras, nem tanto. E não é raro vermos por aí mulheres com guarda-roupas abarrotados, muitas vezes até com peças ainda com etiqueta. E mais: com o cartão de crédito estourado.

Linha tênue

Desejar o que é bonito é normal. Ter vontade de ter aquela jaqueta linda que sua atriz favorita apareceu na semana passada também é. E tudo bem adquirir novas peças a cada virada de estação para dar um refresh no guarda-roupa. Afinal, queremos sempre estar belas e na moda. Está no nosso DNA desejar. “Compras todas fazem, o que diferencia é o volume e a periodicidade. As que têm mais controle são as resolvidas em alguns aspectos como profissional e o pessoal”, diz o psicólogo João Oliveira, do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (RJ). A partir daí, percebemos que existem diferentes tipos de mulheres: aquelas que sempre querem pelo menos uma pecinha da moda; as shopaholics (as novas consumistas), que precisam esconder os cartões de crédito antes de entrar no shopping; e aquelas que têm, realmente, um distúrbio e descontam nas compras todas as suas frustrações e medos. É preciso se preocupar a partir do momento em que a mulher fica dependente da compra. Podemos perceber que aquela que está dentro dos padrões, pondera na hora de colocar a mão na carteira: preciso? vou usar? tenho dinheiro? não tenho nada parecido? Mais ponderada, menos ponderada, o fato é que elas conseguem seguir adiante com ou sem a peça. Deve se preocupar aquela que gasta como se não houvesse amanhã, sem considerar questões importantes. “Estamos falando de alguém que repete e repete o ato de comprar, buscando uma subjetivação de seus desejos como pessoa nesse ato”, avalia a psicóloga Lesle Maciel (SP). O problema pode estar relacionado a questões como solidão, ansiedade, baixa autoestima ou carência. Nesse nível mais pesado, trata-se de um problema patológico, um distúrbio que leva a pessoa a comprar sem precisar ou sequer desejar o objeto. É a compra pelo simples ato da compra. E ela sente na pele os sinais dessa necessidade. “Quem sofre de compulsão experimenta uma forte ansiedade, que só é aliviada quando faz a compra. Ela não consegue controlar o desejo intrusivo e repetitivo. O ato é imediatamente seguido por intenso sentimento de alívio”, explica a psicóloga Lesle. Enquanto não realiza a vontade, pode apresentar sinais como irritação, sudorese, taquicardia, tremor. E não para por aí. A aquisição do objeto nem sempre significa melhora dos sintomas. Ao contrário. Algum tempo depois, pode sentir remorso e decepção pela incapacidade de controlar o impulso. “Em uma atitude compensatória, a culpa gera um mal, que leva a pessoa a comprar novamente, dando continuidade ao círculo vicioso”, relata Lesle.

Passei da conta?

E aí, quem é apenas uma shopaholic e quem de fato sofre um distúrbio? Infelizmente, não é tão fácil assim identificar a doença. Vivemos em uma sociedade que estimula o consumo e, por isso, o ato de comprar muito e sempre é visto de forma natural. Geralmente, o problema só é detectado quando a pessoa já está endividada. Se compararmos com outros distúrbios de comportamento, como bulimia ou vícios químicos, logo entendemos porque é tão difícil identificar a tempo a doença. Nos demais, o corpo responde com sinais como emagrecimento ou palidez, por exemplo. No caso das compras, não há sintomas visíveis, a não ser o desvio de comportamento e as sensações internas percebidas apenas pelo próprio viciado. O psicólogo João Oliveira deu algumas dicas que ajudam, por meio de análise de comportamento, a identificar o problema. “Muitos são os detalhes, mas frequentes e facilmente percebidos nas ‘descontroladas’”.

Tom da voz: ela sempre fala mais alto que o interlocutor.

• Movimentos rápidos: braços e pernas têm movimentos longos e rápidos, sempre esbarram nos objetos. O senso de percepção está alterado, é como se perdesse a noção de espaço do próprio corpo.

• Risadas ao invés de sorriso: riem alto para demonstrar, ao externo, o quanto estão felizes. E é justamente o inverso.

• Rugas de expressão falhadas: devido aos constantes rompantes de humor, as rugas de expressão não são linhas uniformes, principalmente as do alto da testa, se elas estão visíveis pode-se perceber falhas de continuidade nas linhas.

Como parar

Excessos nunca são bem-vindos. Por isso, mesmo as shopaholics “controladas”, ou seja, aquelas que não apresentam um distúrbio, precisam rever o comportamento. Como o problema está ligado à carência, uma forma de driblar é fazer um trabalho de gratificação pessoal: experimente dar a você mesma pequenos presentes todos os dias, como uma revista, um doce, um passeio diferente… “O sistema de gratificação fica abastecido e a carência maior diminui”, avalia João Oliveira. Quem está ao redor, caso identifique, também pode ajudar dando atenção e afeto. Além disso, para evitar a sensação de frustração (que geralmente leva às lojas), ressignifique valores, seja mais positiva, olhe para si a fim de perceber como é uma mulher completa e feliz. Também é importante ter planos mais curtos, que possam ser solucionados em, no máximo, cinco anos. Por fim, não encare erros como o fim de um processo. Para aquelas pessoas com sinais de que a patologia está avançando, o primeiro passo é a terapia e, em alguns casos, esta deve estar associada à medicação. “Um detalhe importante: o cérebro não faz distinção entre pequenas ou grandes compras, ele quer gratificação. Por isso você pode ‘treinar’ ou ‘adestrar’ sua mente com pequenas gratificações que não são tão caras e vão surtir o mesmo efeito”, finaliza o psicólogo João Oliveira.

Compre com moderação

Estas dicas são para quem adora uma vitrine, é atraída por liquidações e não resiste àquele cheirinho de novo. Conversamos com a estilista Marcela Viegas (SP), que deu dicas de como conciliar moda x orçamento x bom senso. Confira:

1-Passeie no shopping para ver as tendências que vingaram, mas não compre nada. Volte para casa e imagine tudo que você viu nas peças que já estão no armário. Avalie se você realmente precisa, se combina com seu estilo e se cabe no orçamento.

2- Tenha prioridades. Pense mais ou menos assim: “preciso investir mais em uma bota do que em uma sandália, porque bota eu não tenho e sandália eu tenho cinco que ainda dão para serem usadas”.

3-Ao entrar no shopping, mantenha o foco. Nada a impede de fuçar as lojas ou ver vitrines, mas lembre-se que está ali para ir ao cinema ou jantar, por exemplo. Não é porque está em um shopping que precisa gastar.

4-Quando for comprar uma nova peça, pense se realmente ela tem a ver com seu estilo ou se é apenas mais uma imposição da moda e que, no fundo, não tem nada a ver com você (e com o resto do seu guarda-roupa!).

5-As promoções costumam acontecer no final das estações, ou seja, oferecem peças que você já cansou de ver por aí e que, provavelmente, não estarão mais em alta no mês seguinte. Por isso, a não ser que seja a roupa dos seus sonhos, procure os modelos atemporais, aqueles que você poderá usar por muitos anos sem passar a impressão de old fashion. Entram nesta lista jeans, camisas, bolsas em cores sóbrias, saia lisa, shorts jeans. “Mas não adianta ter no armário 30 shorts jeans e comprar mais um só porque está em promoção”, explica a estilista. Uma dica boa é pensar se você se vê usando aquela roupa pelo menos três vezes. Não? Então vale mais a pena investir em algo mais caro que será usado incontáveis vezes do que gastar dinheiro à toa.

6-Aproveite as promoções de marcas bacanas, assim você garante itens por preços ótimos e qualidade idem – ou seja, roupa boa, bonita e barata no armário por muitas estações.

7-Evite as cores fortes e invista no clássico. Não precisa ser careta, mas as cores básicas (preto, nude e animal print) são eternas.

8-Bom senso também é moda. Não é porque todo mundo está usando maxi colar que você precisa comprar dez deles. Compre um ou dois modelos e varie de acordo com a ocasião e roupa.

9-Lembre-se de que quando uma tendência é martelada e aparece em todos os blogs e vitrines da moda, ela vai ser massificada e logo, logo vai sumir. Avalie: vale mesmo a pena investir em algo que, provavelmente, usará por pouco tempo?

10-Faça diferentes listas, como lista dos desejos e lista de necessidades, por exemplo. Assim, quando sobrar uma grana extra para investir no seu próprio visual, você já terá um foco e não ficará perdida (e vulnerável) entre tantas e tantas opções disponíveis no shopping. Em meses com mais folga, vale avaliar se cabem itens das duas listas, do contrário, a prioridade é daquela que contenha o que você realmente precisa. “O legal da lista é que, durante o mês, suas prioridades vão mudando e às vezes você pode cansar de uma peça que você estava desejando antes mesmo de você comprá-la”, finaliza a especialista em moda.

 

Leia essa e outras matérias na Plástica & Beleza n° 126.