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Intestino preso? Tô fora!

Não adianta, é só irmos viajar, mudar os hábitos alimentares ou até passar por uma crise nervosa que o nosso intestino resolve ficar bem preguiçoso. E o problema ainda aparece junto com a acne. A gente sabe que o incômodo é grande, mas nem por isso você deve tomar algum remedinho, mesmo porque o certo é curar o mal pela raiz

Por Malu Bonetto

Apesar de o drama do intestino preso afetar cerca de 15% a 20% da população brasileira, nós mulheres ainda continuamos sendo a maioria que sofre desse problema (explicaremos a seguir o porquê). Mas antes de achar que você pertence a esse grupo, é preciso diferenciar síndrome do intestino irritável de prisão de ventre. Se alguém não evacua a cada 48 horas, pode-se dizer que é vítima da prisão de ventre e deve corrigir seus hábitos. Agora, se a pessoa tem dor abdominal, sofre de estufamento e alteração do hábito intestinal é sinal de que tem síndrome do intestino irritável – e tem relação direta com problemas de fundo emocional. Existem duas estruturas que acionam o processo de evacuação. Um deles age involuntariamente e dá o alerta de que chegou a hora de eliminarmos as fezes do nosso organismo. O outro pode ser controlado, (mas não deve!), porque se esse hábito se repete por anos seguidos e o organismo percebe que esse estímulo está sendo feito desnecessariamente, ele o suprime. Segurar a vontade de evacuar faz com que as fezes fiquem muito tempo retidas no cólon sigmoide. Com isso, elas perdem água e acabam ficando endurecidas, o que irá dificultar a estimulação da contração muscular (o famoso movimento peristáltico) que gera o alerta para evacuar.

O que é intestino preso?
Para entender a obstipação intestinal, é importante saber como funciona o trato digestório: na boca ocorre a quebra dos alimentos em pequenas partículas, que em seguida (no estômago) sofrem ação do suco gástrico e ficam menores ainda. “No intestino delgado, estas sofrem ação do suco pancreático e biliar para serem absorvidas sob forma de nutriente (vitaminas, minerais, glicose, aminoácido, colesterol) e por fim no intestino grosso ocorre a absorção de água, nutrientes remanescentes e formação de fezes”, explica a nutricionista Sandra da Silva Maria, da Gastro Obeso Center (SP). Porém, para que isso funcione, o organismo tem de estar em equilíbrio e todas as etapas precisam ocorrer com perfeição. Ou seja, a constipação intestinal nada mais é de que apenas um sintoma, um sinal de alerta que algo não está ocorrendo bem com o nosso organismo.

Por que esse problema ocorre?
A obstipação intestinal ou constipação intestinal apresenta como principal causa a alimentação errada, mesmo porque com a correria diária, a maioria das pessoas se alimenta de produtos industrializados e muito carboidratos, como massas, farinha branca e outros alimentos, ocasionando o problema. Mas é importante saber que há outras causas para o problema como: sedentarismo, genética, vida sedentária, estresse, baixa ingestão de líquidos e principalmente falta de alimentação rica em fibras (substâncias responsáveis pela formação do bolo fecal). Realizar longos intervalos entre as refeições e ficar mais de três horas sem se alimentar, além de costumar ingerir muito refrigerante ao longo do dia (o que promove excesso de açúcar no corpo) também interferem no funcionamento natural do nosso relógio biológico. Também não podemos descartar o emocional, já que cerca de 90% dos casos de intestino preso têm fundo emocional, principalmente quando não estamos em casa, afinal a falta de privacidade e tempo de ir ao banheiro (quando esse banheiro não é o de sua residência) desencadeiam alterações no fluxo e formação do bolo fecal. Para não sofrer de obstipação intestinal, o ideal é criar uma rotina. Beba dez copos de água por dia, siga uma dieta balanceada, não fique mais de três horas sem comer alguma coisa e mastigue bem os alimentos

Por que as mulheres são as que mais sofrem com o intestino preso?
Infelizmente esse é um fato nada bom para nós. Um dos motivos de sermos a maioria é justamente o lado psicológico. Por questão de educação, as mulheres, de um modo bem generalizado, só conseguem ir ao banheiro sem grandes preocupações quando estão em suas casas. “Mantendo esse hábito, ela vai inibindo o reflexo evacuatório do dia a dia, levando à piora do quadro clínico”, explica o gastroenterologista Renê Russo, do Grupo Ana Rosa (SP). Outro fator que influencia bastante em sofrermos mais são os hormônios, que podem interferir no funcionamento do intestino, por exemplo, os da tireoide quando em falta levam a um quadro de obstipação. Quais os malefícios desse problema? “O indivíduo pode apresentar dor tipo cólica, gases intestinais, distensão abdominal, náusea, cefaleia, fadiga, depressão, ansiedade, acne, irritabilidade, carência de determinado nutriente, dificuldade de concentração e em casos mais graves até hemorroidas”, diz a nutricionista Fernanda Machado Soares (RJ).

Atenção com laxantes!
Na falta de estímulo natural, muitos apelam para a automedicação e começam a ingerir laxativos, tornando seu consumo um hábito. “eles atraem grandes quantidades de água para o intestino grosso, tornando as fezes moles e frouxas, e o excesso de líquido também distende as paredes do intestino grosso, estimulando as contrações”, diz a nutricionista Fernanda soares (RJ). Muitos são ricos em sais ou açucares, o que pode causar retenção líquida em indivíduos com doença renal ou insuficiência cardíaca. O uso de laxante deve ser realizado sob supervisão médica. “O uso crônico de determinados laxantes pode provocar danos nas paredes intestinais podendo, com o passar do tempo, provocar alguma doença e a perda de função do medicamento”, alerta o gastrologista Marco antonio Baroni, do Hospital da luz (SP).

Enfim, livre deste mal!
Uma alimentação balanceada é essencial para manter-se afastada da prisão de ventre: prefira fontes magras de proteína, como omeletes feitos somente com clara, aves, peixes e carnes vermelhas magras; e consuma diariamente, frutas, legumes e verduras. “Alimentos integrais são boas fontes de fibras e ajudam a diminuir a absorção das gorduras, além de contribuir para a regulação do intestino, e beba no mínimo dois litros de água por dia”, explica a nutricionista Tatiana Machado, do Instituto Brasileiro de Naturologia (SP). O excesso de açúcar leva ao aumento de bactérias patogênicas, piora o trânsito intestinal, diminuindo também a absorção de vitaminas e minerais em especial o magnésio, o qual é muito importante para o funcionamento intestinal. Também é importante evitar a ingestão de líquidos junto com a refeição ou logo após, porque ele dilui o suco gástrico e prejudica a digestão dos alimentos, favorecendo o crescimento de bactérias patogênicas levando a putrefação, aumento de gases e baixa absorção de nutrientes. As bebidas gaseificadas e os embutidos diminuem a absorção de vitaminas e minerais e quanto menor for essa absorção, maior é o risco de um desequilíbrio do organismo.

Aposte nos iogurtes funcionais
Eles são ricos em probióticos, micro-organismos vivos que como atuam na flora intestinal, auxiliando no bom funcionamento do mesmo. Não existe nada comprovado que contraindique seu uso contínuo.