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Células-tronco contra as rugas

Muito se fala sobre as células-tronco e já estamos cansadas de saber como a sua descoberta foi importante para o avanço da medicina. Agora, o que quase ninguém sabe é que elas já estão sendo utilizadas para o combate do envelhecimento. Confira como essa nova alternativa no combate anti-age funciona

por Iara Martins

Já faz alguns anos que o assunto célula-tronco é falado nos jornais, noticiários, nas revistas de Medicina… Para a maioria das pessoas, o tema é associado a algo do futuro. Pois se você integra a turma que pensa assim, saiba que o futuro é agora. Pelo menos no mundo da beleza e mais especificamente no tratamento de rugas, as células-tronco têm se mostrado uma aliada e tanto. Descobertas recentes levaram ao desenvolvimento de uma técnica poderosa.

Bê-a-bá

“As células-tronco são aquelas que possuem a melhor capacidade de se dividir, dando origem a células semelhantes às progenitoras. Aquelas de embriões têm ainda a capacidade de se transformar, em um processo também conhecido por diferenciação celular, em outros tecidos do corpo, como ossos, nervos, músculos, sangue”, explica a farmacêutica e bioquímica Anelise Leite Taleb (SP).

São principalmente valiosas na aplicação terapêutica de doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes mellitus tipo 1, acidentes vasculares cerebrais, doenças hematológicas, traumas na medula espinhal e nefropatias. Todas complicações de difícil (ou nenhum) tratamento convencional atualmente. Por este motivo, fala-se tanto em armazenar células-tronco de embriões, ou seja, antes mesmo do nascimento da criança. É uma possibilidade de tratamento em casos de doenças surgidas no futuro.

“Essas células agem como um sistema reparador do corpo, mas também mantêm a diferenciação normal da regeneração de órgãos, tais como sangue, pele ou tecidos intestinais”, complementa a farmacêutica.

E se célula-tronco tem relação com regeneração de um tecido, tem a ver com rejuvenescimento também. É aí que começamos a falar a nossa língua. Ela tem a capacidade de aumentar a quantidade de fibroblastos,o que significa aumentar também a produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico no organismo. Na prática, a pele ganha mais firmeza, fica mais espessa, mais hidratada e, assim, rugas e fl acidez são combatidas. Estes novos fibroblastos ainda ajudam a recuperar a pele que sofreu alterações pelo sol.

Passo a passo

O tratamento não é simples ou rapidinho. “As células utilizadas são chamadas células-tronco de pluripotencia induzida. Isto significa que são células-tronco adultas obtidas do próprio paciente e reprogramadas geneticamente em laboratório”, explica a dermatologista Valéria Fusari (SP).

As células-tronco são encontradas em três locais do corpo: no epitélio, no sistema nervoso e na medula óssea. São as do epitélio as que serão aplicadas em estética. Neste processo, retira-se o tecido subcutâneo (gordura) por lipoaspiração e da derme por biópsia e estes são enviados ao laboratório em condições específi cas. O laboratório deve seguir rigorosas normas determinadas pela Anvisa. Por este motivo, atualmente apenas um no Brasil é autorizado a realizar o procedimento. Lá, as células são reprogramadas e, em seguida, replicadas em milhares de fibroblastos que serão preparados em seringas.

Este processo demora um mês, período que a paciente terá de esperar para voltar ao consultório e fazer a aplicação. Parte deste material pode ser congelado para futuras aplicações.

Como era antes

O segredo de tudo, explica a dermatologista Monica Aribi (SP), está na ação da célula-tronco: ela aumenta a circulação sanguínea em dez vezes. E é justamente isso que fará com que os folículos fabriquem mais fios e células da derme formem mais colágeno.

Assim, a paciente encontrará o efeito tão desejado. “A perda de volume, que causa o típico aspectode envelhecimento, é regenerada com sucesso. A aplicação irá afetar também os tecidos ao redor. Como reusltado, as rugas são suavizadas, o tônus e a força da pele restauradas. Um efeito de rejuvenescimento de longa duração”, explica o cirurgião austríaco Karl Georg-Heinrich.

Os resultados (e o tempo para atingí-los) variam de acordo com cada paciente. De uma forma geral, quanto mais jovem for a célula-tronco, melhor será o resultado, já que terão maior capacidade para gerar novos fibroblastos. “Assim, sugere-se que pacientes jovens façam a coleta mesmo que não realizem aplicação no mesmo tempo. Este material pode ser congelado e armazenado sendo utilizado num tempo futuro,” orienta a Dra.Valéria.

Naturalidade também é a marca da técnica. A diminuição de células no nosso organismo é a responsável pelos efeitos do envelhecimento. Por utilizar células do paciente multiplicadas milhares de vezes, é material dele próprio aplicado ali preenchendo, assim, o espaço que ficou vazio com o tempo. A grande vantagem do tratamento, além da naturalidade, é que não existe risco de rejeição.

Muito além das rugas…

O foco atualmente são as rugas, mas ainda bem que temos cientistas e estudiosos indo a fundo no tema para garantir os benefícios das células-tronco em outros tratamentos. “Os estudos continuam a evoluir a cada dia,apenas estamos no começo desta que acredito ser a nova era dos tratamentos em medicina. Já estamos realizando também tratamento em pacientes com vitiligo e alopecia, além de diversas doenças que cursam com formação de feridas e perda de epiderme”, anima a dermatologista Valéria Fusari.

O Dr. Karl Georg-Heinrich ainda reforça o uso das células-tronco nos seios, substituindo implantes de silicone. Porém, ele acredita que, com o avanço da medicina e com as novas descobertas, a tendência no futuro é a valorização da prevenção, usando, também, as células-tronco.

O fim das dúvidas!

Quem não pode fazer?

Algumas doenças genéticas contraindicam o tratamento e os médicos devem avaliar cada caso. Doenças autoimunes em atividade e gestação também devemos evitar. em geral, o paciente deve estar saudável.

Quantas sessões são indicadas?

De uma a três sessões, em média. Há ainda a manutenção, que deve ser feita a cada dois anos. Vale ressaltar que a coleta é realizada apenas uma vez e, a partir desta, são produzidas quantas seringas a paciente solicitar no decorrer da vida.

Em quanto tempo é possível ver os resultados?

Em um mês já é possível ver os resultados que é o tempo necessário para que as células começarem a atuar. Porém, é mais expressivo após seis meses da aplicação.

O tratamento é aprovado pela ANVISA?

Sim, mas é importante ficar atento, pois apenas um laboratório está aprovado pela Anvisa no Brasil.

Qual o preço médio?

Infelizmente o valor ainda é alto. O custo varia de R$ 15 mil a R$ 25 mil.

 

Leia essa e outras matérias na Plástica & Beleza n° 128.