Sorriso doce

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O dentista pode ajudar a detectar e prevenir diversas doenças, inclusive o diabetes que, segundo dados da Federação Internacional do Diabetes, atinge cerca de 11 milhões de brasileiros. No mundo são 250 milhões de pessoas e esse número deve chegar a 380 milhões em 2025. Veja como o dentista pode diagnosticar esse mal

Por Malu Bonetto

Antes de tudo, é essencial saber o que é o diabetes. Ele é uma doença metabólica que eleva os valores de glicemia no sangue devido a ausência, deficiência e/ou resistência à ação da insulina produzida pelo pâncreas. Os portadores não conseguem metabolizar corretamente a glicose que está no sangue em energia, já que a insulina (responsável por esta transformação) não é produzida corretamente. Para ser ter uma ideia, a glicemia (glicose no sangue) de jejum considerada normal é 100 mg/dl e quando ela está acima de 126mg/dl, há o diagnóstico de diabetes. Entre as pessoas com maior risco de desenvolver diabetes estão as que têm obesidade, hipertensão, altos níveis de colesterol e triglicérides, usam medicamentos à base de cortisona, as que possuem familiares com a doença e as sedentárias.

Hoje em dia, já há diversas maneiras de controlá-la, mesmo porque quando ela está descompensada podem surgir lesões graves e potencialmente fatais, tais como o infarto do miocárdio, derrame cerebral, cegueira, impotência, nefropatia, úlcera nas pernas e até amputações de membros. Por outro lado, quando bem controlada, as complicações crônicas podem ser evitadas e o paciente diabético pode ter uma qualidade de vida normal.

Na cadeira do dentista

A dentição de uma pessoa portadora de diabetes não se difere de uma não portadora. Por isso mesmo, todo dentista deve fazer um questionário ao paciente no qual deve constar a história médica do seu paciente. Além disso, sempre que houver suspeita de diabetes, mesmo se o paciente responder na anamnese que não tem a doença, deve-se pedir exames de sangue como glicemia que mede o nível de glicose no corpo naquele momento, hemoglobina glicada que fornece a média de açúcar no sangue nos últimos dois ou três meses, e outros que o médico ou dentista solicitar.

Mas há alguns sinais que merecem atenção, pois podem indicar a presença do diabetes, entre eles a inflamação com alteração na coloração das gengivas e sangramento, pois esta doença provoca uma baixa na imunidade das pessoas, agravando o problema periodontal e xerostomia; e a boca seca que ocorre porque há uma diminuição da salivação que interfere negativamente no controle da doença periodontal e das cáries, podendo levar também ao mau hálito. “Nestes casos, a produção da saliva merece destaque já que ela protege a cavidade bucal, o epitélio gastrointestinal e a orofaringe. Além de umedecer os tecidos moles e duros da cavidade bucal, tem função de destaque no controle da quantidade de água do organismo. Quando o corpo está com falta de água, a boca fica seca, manifestando a sede”, esclarece o dentista Adriano Moraes (RJ).

Como ela interfere na dentição

Apesar de a dentição de um não diabético ser igual a de um diabético, no segundo caso há um aumento na predisposição a doenças periodontais (periodontites e gengivites) devido a descompensação glicêmica no diabético. “Também há a diminuição do fluxo salivar que pode contribuir para o surgimento de infecções oportunistas como candidíase e também a um aumento do índice de cárie dental, uma vez que a saliva é uma importante barreira contra essa doença”, explica o cirurgião-dentista Flávio Luposeli (SP). Justamente por isto eles precisam controlar muito bem a glicemia (taxa de açúcar no sangue) para que o quadro metabólico não fique descompensado e caprichar na higienização bucal, além de terem um acompanhamento com um dentista com maior regularidade do que qualquer paciente.

Atenção especial com as gengivas

Pessoas com diabetes têm um risco maior para doenças gengivais avançadas porque são, geralmente mais, suscetíveis às infecções bacterianas e têm uma diminuição na capacidade de combater as bactérias que invadem o tecido gengival. E, a doença periodontal persistente, leva a perda dentária, hemorragia gengival além de outros problemas bucais como recorrência de infecções fungicas e virais oportunistas, deficiência na cicatrização após procedimentos cirúrgicos odontológicos e xerostomia. “Uma vez a doença periodontal instalada, esta pode ser considerada um agravante, pois as bactérias responsáveis entram na corrente sanguínea podendo afetar órgãos importantes como rins, coração e pulmão risco de endocardite bacteriana”, alerta Adriano Moraes (RJ).

Cuidados redobrados, sempre!

Que é importante fazer uma higienização correta com o uso de fio dental, pasta e escova de dentes e enxaguatório bucal isto você já sabe. Mas no caso dos diabéticos descontrolados é preciso mais cuidado ainda já que eles são mais vulneráveis a instalação de bactérias oportunistas que causam vários danos a saúde devido ao fato de seu sistema de imunidade estar prejudicado. Eles apresentam hiperglicemia constante o que gera uma imunodeficiência que os predispõem ao surgimento de infecções. “Justamente por isto, o mais importante é controlar o nível de glicose no sangue. Em seguida, cuide bem dos seus dentes e gengiva e faça exames minuciosos a cada seis meses. Para controlar as infecções por fungo, controle bem seu diabetes, procure não fumar e, se usar dentadura, remova-a e limpe-a diariamente. O controle adequado da glicose do sangue também ajuda a evitar ou aliviar a boca seca causada pelo diabetes.” Mantenha seu dentista informado sobre qualquer alteração em seu estado de saúde e sobre os medicamentos que estiver tomando. Exceto em caso de emergência, não se submeta a qualquer procedimento dentário se o açúcar no sangue não estiver controlado.

 

Leia essa e outras matérias na Plástica & Beleza n° 128.