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A genética do sorriso

Sabe aquele famoso ditado popular: “para sabermos como será uma criança no futuro, basta olhar para seus pais”? Pois iss o é fato! E essa frase se encaixa não só para as características físicas, como também para as dentárias. Veja até que ponto a hereditariedade pode afetar seu sorriso

Por Malu Bonetto

Você já reparou que sua arcada dentária e até mesmo seus dentes são um tanto quanto parecidos com os da sua mãe ou do seu pai? Sim, a hereditariedade influencia, e muito, o formato e cor dos dentes, especialmente no Brasil, onde há uma miscigenação de raças muito grande. Pode ocorrer também de o indivíduo herdar padrões estéticos dentais da mãe e padrões ósseos do pai e vice-versa, o que irá gerar uma nova padronagem de características da arcada dentária. “Neste sentido, é muito comum observarmos pessoas com tamanho e forma de dentes incompatível com suas características físicas. Por exemplo, dentes muito grande em uma arcada pequena, provocando apinhamento dental, os famosos dentes desalinhados”, explica o cirurgião-dentista Marcelo Fonseca, da Clínica de Odontologia Marcelo Fonseca (RJ). Mas não é por ser uma característica hereditária que é obrigatoriedade que pais e filhos tenham exatamente o mesmo sorriso, com as mesmíssimas qualidades e defeitos. “Pode-se dizer que as pessoas tenham propensão genética a determinados problemas bucais como doença periodontal ou problemas dentais como cárie, mas o comportamento e atitudes em relação à dieta, hábitos e cuidados diários farão toda diferença para determinar se o indivíduo terá ou não estas doenças”, comenta a ortodontista Cristiane Rodrigues Rosa, da clínica Ortocris (SP). Com orientação sobre dieta e cuidados com higiene e abolindo maus hábitos (chupar dedo, chupeta ou mamadeira por longos anos, fumar, uso de bebidas alcoólicas em excesso, etc) é possível prevenir esses problemas. Outros problemas, como má oclusão, podem ser hereditários e revertidos com o uso de aparelho ortodôntico. “Daí a importância em consultar um ortodontista o mais cedo possível, a partir dos três ou quatro anos de idade, para prevenir, fazer acompanhamento, orientação e ou correção ortopédica (aparelhos removíveis que redirecionam o crescimento facial) que pode evitar, por exemplo, que no futuro esse indivíduo seja levado a uma cirurgia ortognática”, complementa a Dra. Cristiane Rosa.

COLORAÇÃO
Apesar dos fatores hereditários pré-definirem o tom dos dentes já ao nascermos, eles se modificam com o passar dos anos devido à ação de alguns alimentos ricos em pigmentos, como café, vinho tinto, bebidas à base de cola e cigarro. Fatores intrínsecos, como a fluorose dentária (excesso de consumo de flúor) ou manchas por consumo de antibióticos pela mãe, durante a gravidez também influenciam a coloração. “Aqui vale o alerta: flúor e antibióticos devem ser utilizados com muita moderação na infância, quando os dentes permanentes estão em formação”, ressalta a dentista Marcela Bernardes, da Clínica de Odontologia Marcelo Fonseca (RJ). Mas nem por isso você é orbigada a ter de exibir um sorriso amarelado ou manchado! É possível conquistar um sorriso branquinho com os métodos de clareamento:

Clareamento caseiro com moldeira
O que é: tratamento para ser realizado em casa. O paciente usa moldeiras com o gel clareador algumas horas por alguns dias até alcançar o tom ideal.
Como é: após a moldagem da arcada do paciente, o laboratório obtém um modelo de gesso sobre o qual se faz uma moldeira de silicone, que se adapta perfeitamente às arcadas do paciente. Nesta moldeira, o paciente aplica o gel clareador e a leva à boca pelo tempo determinado pelo dentista, de acordo com as especificações do produto usado e com as necessidades de cada um. A concentração do gel clareador varia de paciente para paciente por causa do grau de escurecimento dos dentes, e a moldeira deve ser usada no período da noite.
Tempo de tratamento: pode durar de uma a três semanas, dependendo do grau de escurecimento dos dentes, e a cada semana o paciente deve ir ao consultório para uma avaliação. Depois de finalizado o procedimento, pode-se estimar um período de aproximadamente um ano para uma nova sessão, sendo que cada paciente deve ser reavaliado a cada seis meses.
Vantagens e desvantagens: o procedimento é mais barato do que o realizado em consultório, porém o resultado é mais lento e depende do uso das moldeiras.


Clareamento a laser

O que é: clareamento através da luz emitida pelo laser.
Como é: após a profilaxia em toda a arcada, o dentista isola os dentes com uma barreira que protege a gengiva e aplica o gel de clareamento. Este material é ativado com o auxílio de Leds e do Laser, para diminuir a sensibilidade. Nesse caso do clareamento a laser, o gel é mais forte e em uma ou duas sessões, geralmente, já se atinge o resultado desejado. Após a aplicação da luz, ocorre a remoção da barreira protetora, faz-se o polimento dos dentes com abrasivos de granulação média e fina e para finalizar, a fluoretação com o emprego de gel incolor, o que impermeabilizará o esmalte dental.
Tempo de tratamento: a aplicação costuma durar em torno de 60 minutos e requer uma profilaxia prévia. O número de sessões vai depender do grau de escurecimento do dente de cada paciente. A periodicidade da aplicação pode ser semanal.
Vantagens e desvantagens: no consultório, o dentista pode controlar a concentração do gel e, apesar de ser um procedimento mais caro do que o caseiro, pode ser realizado em uma única sessão. Muitas vezes existe a necessidade de complementar com a técnica caseira para alcançar o tom ideal.

Clareamento com uso de moldeira
O que é: método para ser realizado no consultório que utiliza a moldeira sob supervisão de um profissional.
Como é: após a profilaxia bucal, é confeccionada a moldeira de silicone, que se adapta perfeitamente às arcadas do paciente. A moldeira recebe o gel clareador e é levada à boca por aproximadamente 30 minutos, sempre sob supervisão do profissional, no consultório. Quando usado em casa, a concentração do gel clareador varia de 10% a 16%, já no consultório, essa medida sobe para 32%, em média. Para potencializar o resultado, o procedimento deverá ser repetido diariamente em casa.
Tempo de tratamento: a sessão dura 30 minutos, em média. O número de sessões depende do grau de escurecimento dos dentes e da reação do organismo à intervenção.
Vantagens e desvantagens: apesar de clarear os dentes mais rápido do que o método caseiro, pode ter como efeito colateral uma sensibilidade transitória e leve ardência na gengiva, já que não é possível isolá-la durante a aplicação.

ESTRUTURA
A exposição de raiz pode ocorrer por vários fatores. Entre eles: traumatismo por escovação, inflamação da gengiva pela presença da placa bacteriana, restaurações desadaptadas na região gengival, posição alta dos freios labiais e linguais, movimentos ortodônticos realizados de maneira incorreta e pouca espessura do osso que recobre a raiz. Já a parte hereditária pode ser responsabilizada pelo tipo de gengiva e por uma forma desfavorável de suporte dental. Vale lembrar que a gengiva recobre o tecido ósseo que “envolve” a raiz do dente e biótipo gengival mais fino é mais sucetível a exposição radicular. “Na prevenção desse processo uma escovação adequada (escova macia e com pouca força) e, também em casos selecionados, o uso de uma placa miorelaxante interoclusal podem ser muito válidos”, explica o cirurgião-dentista Mário Groisman (RJ). O tratamento depois da exposição pode ser feito de uma forma paliativa com o uso de creme dentais apropriados para sensibilidade gengival, ou de uma forma curativa através da restauração (recobrimento) da raiz com resina composta ou porcelana, ou ainda do recobrimento da raiz com minicirurgias de plástica de enxerto gengival.

Restauração com resina ou porcelana
Indicação: dentes com desgastes, fraturas de pequeno porte, cáries, restaurações antigas com amálgamas e pequenas manchas.
Como é feito: são removidas cáries e restaurações antigas, quando for o caso, para ser feito um condicionamento ácido (aplicado em qualquer situação), que prepara a região. Em seguida, aplica-se a resina composta diretamente sobre a superfície para ser modelada sobre o dente e fazer a correção necessária.

Minicirurgia de enxerto gengival
Indicação: recomendado nos casos em que há falta de gengiva, retração gengival ou após extrações dentárias.
Como é feito: sob anestesia local é retirado uma pequena parte do fundo da boca ou do palato, para ser implantada na região em que há falta de gengiva (retração).

As características dentárias são transmitidas de pais para filhos. Mas isso não significa que você precise viver com as imperfeições estéticas do resto da sua família.

FORMAÇÃO
O formato dos dentes, a presença ou não de diastema (espaço entre dentes), apinhamento (desalinhamento) ou má inclusão também podem ser relacionados à hereditariedade quando se herda a arcada de um dos pais e os dentes de outro. “Imagine a mãe com uma arcada dentária e dentes grandes e o pai com um sorriso estreito, dentes e arcada pequenos. Quando nasce o bebê, esse herda a arcada da mãe (grande) e os dentes do pai (pequenos), logo sobrará espaço entre os dentes chamados de diastemas”, exemplifica Dr. Mário Groisman. Quando ocorre a situação inversa pode resultar em um apinhamento dental. Nestes casos, o acompanhamento de um ortodontista poderá minimizar os efeitos da hereditariedade. Nestas situações clínicas, uma abordagem ortodôntica ou cosmética (facetas de porcelana) pode permitir um ótimo resultado.

Facetas de porcelana
Indicação: casos em que há fraturas ou alteração na coloração da superfície dos dentes.
Como é: o dente a ser tratado precisa ser desgastado em torno de 2 mm para receber os laminados, finas camadas de porcelana que cobrem a superfície como se fossem unhas postiças. As peças moldadas previamente são cimentadas para finalizar.
Vantagens: a qualidade estética é ótima e os resultados, imediatos. Além disso, a técnica garante resultados em longo prazo.
Desvantagens: para ser realizado o tratamento, é necessário desgastar a estrutura original dos dentes do paciente.

Aparelhos ortodônticos
Ortodontia lingual: chamado de invisível por ser colado na face interna dos dentes, reduz o tempo de tratamento e aumenta o intervalo entre as consultas. “Os aparelhos fixos são movidos pela ação dos fios termo ativados, isto é, ativam à temperatura da boca, com forças extremamente leves e constantes”, explica a ortodontista Cristiane Rodrigues Rosa, da Ortocris. São indicados para pessoas que necessitam de grandes movimentações dentárias e não podem ou não querem mostrar que estão de aparelho.

Aparelho de acetato: fabricado com plásticotransparente, é móvel, contorna os dentes de forma imperceptível, sendo ideal para quem tem espaçamento entre os dentes. A cada troca de placa vai evoluindo a correção, desde que o paciente use, pois é móvel. “São indicados para pessoas que não querem nenhum tipo de aparelho fixo, ou porque já usaram e houve pequenas recidivas no pós-tratamento ou têm espaço entre dentes”, complementa.

Aparelho de safira: aparelho fixo que utiliza bráquetes incolores. Esteticamente, eles são bem mais bonito e mais resistente do que os aparelhos convencionais cerâmicos.

Aparelho tradicion l: esse é o modelo mais antigo, tanto que foi o responsável pelo famoso apelido “sorriso metálico”dado aos pacientes com aparelho. Os bráquetes metálicos, que estão bem menores do que antigamente, são colados sobre os dentes com a ajuda de resina e são retirados somente no final do tratamento. Os fios metálicos são ligados aos bráquetes, promovendo uma força constante sobre os dentes. Esses fios são apertados nas visitas periódicas aos dentista.