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Ginecomastia: além da vaidade

ginecomastia

Para alguns homens, tirar a camiseta é sinônimo de vergonha. Não por causa de uma barriguinha saliente, mas pelo desenvolvimento anormal das mamas, que acontece por causas patológicas ou por excesso de gordura. A solução mais procurada para esses casos é a intervenção cirúrgica conhecida como ginecomastia

Por Malu Bonetto

O desenvolvimento da glândula mamária masculina, assim como das mulheres, ocorre no período da adolescência, caracterizado pelo início da produção de hormônios sexuais que acontecem diferentemente em cada sexo. Na menina, a produção aumentada de estrogênio estimula o desenvolvimento da glândula mamária, o que normalmente não acontece nos meninos. Mas, por causa de alterações hormonais na puberdade, principalmente associada ao ganho de peso excessivo, pode ocorrer um aumento do hormônio estrogênio no homem e consequentemente as mamas se desenvolverem. “Com o passar do tempo, o corpo equilibra essa produção de testosterona, e esse aumento da mama pode regredir. Caso não, faz-se a retirada cirurgicamente, através da sucção da gordura produzida e, dependendo do caso, uma reposição da aréola. A cirurgia permite que o problema não ocorra novamente, ou seja, um único procedimento já garante que não cresça mais uma vez”, diz o cirurgião-plástico Sérgio Morum (DF).
A cirurgia em si, é realizada sob anestesia local com sedação, pode ser glandular (somente excesso de glândula mamária), gordurosa (com excesso de gordura apenas) ou mista (além de gordura há também tecido glandular excedente). A incisão, em forma de semicírculo, é feita na borda inferior da aréola, por onde retira-se o excesso de glândula e gordura, algumas vezes utilizando a lipoaspiração como complemento, na intenção de nivelar a área das mamas no nível do tórax. Os resultados costumam ser satisfatórios e perceptíveis logo nas primeiras semanas, após a redução dos edemas pós-cirúrgicos. Os exercícios físicos devem ser evitados por um período de 15 a 60 dias, repouso, analgésicos e antiinflamatórios ajudam a aliviar o desconforto da primeira semana e também é necessário usar uma faixa de compressão na região torácica durante a primeira semana e evitar, por dois meses, tomar sol na região operada. O resultado final é alcançado entre seis meses e um ano.
De acordo com o médico, homens adultos também podem estar sujeitos ao quadro, com o uso de esteroides anabolizantes ou alguma doença no testículo, prejudicando a produção de testosterona. Para ele, esses são os pacientes que mais procuram resolver o problema. Mas recorrer ao bisturi nesses casos não é só uma questão de estética. “O bullying com os jovens que sofrem com a ginecomastia podem causar traumas duradouros. É um período complicado, por ser a adolescência, toda a questão de afirmação pessoal, em outros casos, o início de uma vida sexual. Um adolescente que sofre de chacotas por conta das mamas não se sente à vontade de jogar futebol no esquema de time com camisas e time sem, não vai se sentir confortável dentro de um vestiário. Isso atrapalha muito a sua relação com o seu nicho de relacionamentos”, comenta a psicóloga Izaela Pereira, da Aliança Oncologia (DF). De acordo com a profissional, alguns dos casos reflete até na autoafirmação sexual e até podem haver casos de confusão com relação à identidade de gênero, e esse processo pode ser muito doloroso.