Não deixe sua pele cair

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A partir dos 30 anos, a produção de colágeno começa a cair. A partir dos 50 anos, reduz para 35%. Mas não se desespere! A ciência está tão avançada que hoje é possível retardar essa perda com a ajuda de tratamentos que ativam a produção de colágeno

por Fabiana Torquato

É péssimo imaginar que antes mesmo de se completar a metade do tempo de vida estimado para os brasileiros (77 anos para as mulheres, segundo dados do IBGE), decretamos o início do nosso envelhecimento… Mas esta é uma triste verdade, afinal, é nesta fase que a produção de colágeno, proteína natural fabricada pelo corpo e responsável pela sustentação da pele, começa a cair. “O colágeno representa cerca de 25% de toda proteína do organismo humano. Sua função é primordialmente estrutural, ou seja, proporciona sustentação às células, mantendo-as unidas, sendo o principal componente protéico de órgãos como a pele, os ossos, as cartilagens, os ligamentos e os tendões”, explica a dermatologista Mônica Felici de Almeida (SP). Segundo a médica, o colágeno é produzido normalmente no organismo desde o nascimento. Contudo, na fase da maturidade, sua deficiência começa a ser notada, com a diminuição da elasticidade da pele, o aparecimento de rugas e o aumento da fragilidade articular e óssea.

De repente, 30!

Estudos mostram que a partir dos 30 anos, o corpo sofre uma perda de colágeno por volta de 1% ao ano e, aos 50, passa a produzir apenas uma média de 35% do colágeno necessário para os órgãos de sustentação. Supõe-se que esta seja uma das principais causas do envelhecimento, uma vez que com a diminuição do colágeno, os músculos ficam flácidos, a densidade dos ossos diminui, as articulações e ligamentos perdem sua elasticidade e força, e a cartilagem que envolve as articulações fica frágil e porosa. “A deficiência de colágeno está também associada com a diminuição da espessura do fio capilar e com a desidratação e perda de elasticidade da pele, culminando em flacidez e no aparecimento de rugas e estrias”, comenta a Dra. Mônica Felici de Almeida. As mulheres são as que mais sofrem com a perda de colágeno, pois apresentam uma quantidade menor desta proteína no corpo, se forem comparadas aos homens. Além disso, a deficiência de estrogênio que ocorre no sexo feminino por volta dos 45 a 50 anos faz com que haja uma diminuição da quantidade de fibroblastos, células responsáveis pela produção do colágeno, que junto com outra proteína, a elastina, compõe a trama de sustentação da pele. Toda essa mudança provoca a redução do fluxo de sangue pelos vasos e leva a uma menor capacidade de retenção de água pelas células, além de desacelerar a atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas, que produzem a oleosidade que protege a pele como um filtro natural. Sem a mesma irrigação e hidratação, a pele fica seca, enrugada, flácida, fina e muito mais sensível a escoriações e aos efeitos da exposição solar.

 

6 tratamentos pró-colágeno

Verdadeiros estimuladores do colágeno, os tratamentos abaixo barram os efeitos do envelhecimento

1- Acupulse

É um laser ablativo fracionado de Co2, indicado para flacidez e estrias. Ele atinge a pele em colunas de energia e provoca microperfurações na pele. “O laser aquece o local, dissipa o calor na derme e assim produz um novo colágeno. Como é um laser ablativo, promove um estímulo intenso da produção de colágeno”, afirma a Dra. Mônica Felici. “Este laser trata as estrias e a flacidez ao mesmo tempo em que deixa a pele mais firme e com melhor aspecto”, afirma. É contraindicado para peles morenas e negras. Em média, são necessárias de três a seis sessões, com intervalos quinzenais ou mensais.

2- Sellas EVO

Laser fracionado não ablativo (Erbium Glass 1550nm). Ele atua aquecendo a tez de maneira fracionada, assim, eliminando as células danificadas e estimulando a regeneração da pele com produção de colágeno e elastina. “A maior vantagem desse laser é poder ser utilizado em todos os fototipos, isto é, as mulheres de pele morena também podem se submeter ao tratamento. Sua ação proporciona um aspecto de pele lisinha e macia”, explica a Dra. Mônica Felici. Para um melhor resultado são necessárias em média seis sessões, com intervalos quinzenais.

3- Power Shap e Platform

Tratamento indicado para o corpo que utiliza a tecnologia de radiofrequência multipolar, que produz o aquecimento da pele. “Este aquecimento promove a retração imediata das fibras de colágeno existentes, o que garante um efeito imediato de firmeza. Porém o mais importante é que esse estímulo desencadeie a produção de um novo colágeno na derme superficial”, afirma a Dra. Mônica Felici de Almeida. A aplicação dura em média de 20 a 40 minutos e deve ser feita a cada 15 dias. A indicação é de quatro a oito sessões. Segundo a médica, um mês após a primeira sessão dá pra começar a perceber o resultado.

4- Titan

Indicado para flacidez de rosto, pescoço e colo, o Titan utiliza a tecnologia de infravermelho longo para estimular a produção de colágeno. “O infravermelho promove um aquecimento da pele na derme média e profunda, assim estimula a neocolagênese. Ocorrendo, também, a retração imediata do colágeno existente, dando um efeito lifting”, explica a Dra. Mônica. Em média, são indicadas três sessões com intervalos mensais. Logo após o primeiro mês da primeira sessão dá para notar a melhora. Mas o resultado se dá após o sexto mês da primeira sessão.

5- Revitacell

Segundo a dermatologista Luciana Macedo de Oliveira, diretora médica da Clinique des Arts (SP), este tratamento é baseado também na medicina regenerativa, pois a partir de células do próprio paciente, o novo colágeno será produzido. Através de uma biópsia, as células-tronco são retiradas do tecido vascularizado (pele ou tecido adiposo). Feita a coleta, esse material segue para um laboratório especializado. “Lá, eles separam e multiplicam as células adultas a partir do material enviado pelo médico e as devolvem para aplicação com fins estéticos ou terapêuticos”, explica a Dra. Luciana Macedo de Oliveira. O procedimento consiste em injetar as células na derme do paciente, que se transformarão em fibroblastos, produzindo colágeno e elastina na área aplicada. “Com isso, as rugas nasolabiais, cicatrizes de acne e outras correções tendem a desaparecer. Além disso, progressivamente haverá um aumento da produção de colágeno, o que melhora o aspecto de flacidez. Com a reaplicação das células, há um aumento da espessura da pele, revitalizando-a por inteiro, com melhora da flacidez e rugas”, explica a médica. Além da face, a aplicação pode ser feita também em outras áreas, como mãos, cotovelo, joelho e pescoço. Os resultados aparecem de forma progressiva, cerca de 90 dias após a primeira aplicação.

6- Microagulhamento com rollers

O método funciona assim: rolinhos acoplados com dezenas de microagulhas extremamente finas de até dois milímetros de comprimento deslizam na área da pele a ser tratada. “Os microfuros auxiliam na produção do colágeno e potencializam a absorção dos medicamentos, já que atingem camadas profundas da pele”, explica a Dra. Luciana Macedo de Oliveira. O método já é bastante utilizado para atenuar as rugas finas da face, manchas e cicatrizes, mas tem se mostrado eficaz também no tratamento de estrias. A médica explica que a técnica é ainda mais eficaz quando estas pequenas agulhas são associadas à radiofreqüência e aplicações de vitamina C, silício e fatores de crescimento. “A paciente sente um mínimo de dor, ou muitas vezes nem sente o incômodo, pois é aplicado um creme anestésico antes do procedimento. A paciente sai da clínica com uma discreta vermelhidão na região tratada, que melhora em 24 a 48 horas após o procedimento”, explica a médica. São necessárias no mínimo, quatro sessões, com intervalo de 15 a 30 dias.

Dieta rica em proteína: ajuda?

Sim, mas não muito. Para a fisioterapeuta Olga Matos, da OligoFlora (RJ), o colágeno pode ser reposto com a ajuda da alimentação, principalmente com alimentos ricos em proteínas de origem animal. Mas para o organismo sintetizá-lo, é importante que você consuma vitaminas C e E, selênio e zinco. “Com o passar do tempo, só a alimentação não basta, deve-se fazer também a reposição por consumo diário de gelatina que é extraída do colágeno bovino ou da própria substância em pó ou cápsulas. A gelatina comum encontrada em supermercados não contém a mesma quantidade de colágeno que a proteína em pó. Por outro lado, embora práticas, as cápsulas de colágeno também sofrem restrição: a dose recomendada seria de 10 gramas diárias, ou o equivalente ao exagero de 20 cápsulas por dia.” Para a dermatologista Mônica Felici, as pesquisas mostram que o colágeno hidrolisado em pó contém uma série de fragmentos de proteínas que quando ingeridos são parcialmente digeridos e absorvidos, fornecendo aminoácidos fundamentais para a manutenção de ossos e a reconstituição ou regeneração de algumas articulações. “O colágeno em pó é eficiente contra processos de flacidez tecidual e, quando aliado a atividade física, torna-se uma excelente fonte protéica capaz de sintetizar a massa magra, mantendo assim o aspecto jovial do nosso corpo.”

 

Leia essa e outras matérias na Plástica & Beleza n° 126