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Suplementação nutricional – Aliada ou vilã?

A ideia de que uma dose extra de vitaminas e minerais pode dar aquela turbinada na saúde e na beleza leva muitas mulheres a aderirem aos suplementos. Porém, a verdade é que sem a supervisão de um especialista, a prática pode se tornar perigosa e trazer uma série de prejuízos ao organismo

Por Patrícia Affonso

Apropaganda da TV apresenta cápsulas que prometem um corpo blindado contra as mais diversas doenças. Já a sua vizinha ama as maravilhas daquele pozinho diluído em água para a pele. São fatos como estes que levam muita gente a experimentar os suplementos nutricionais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos um terço da população global toma esses complexos diariamente.
Se por um lado a proposta é para lá de tentadora, na visão dos especialistas a coisa não é tão simples assim. Para eles, a solução real e muito mais acessível está no prato. “Uma alimentação balanceada supre as necessidades de um indivíduo saudável e dispensa a administração de doses extras de nutrientes”, garante a nutricionista Cristina Corrêa, da Clínica Dr. José Bento de Souza (SP).
O truque para seguir essa orientação você já conhece: siga uma dieta que contemple os vários grupos alimentares e uma variedade de vitaminas e minerais. Fontes de proteínas, carboidratos, frutas, verduras e legumes: todos esses itens são necessários para fazer o organismo funcionar direitinho.
Mas e os suplementos? Eles devem ser reservados para situações específicas. E nada de automedicação: somente médicos, nutrólogos e nutricionistas estão aptos a prescrever o melhor produto para você.

Todo excesso é ruim
Para preservar seu corpo, a primeira instrução importante é abandonar de uma vez por todas a ideia de que quando se trata de vitaminas e minerais todo reforço é bem-vindo. “É justamente por sua necessidade diária de consumo ser baixa que essas substâncias são chamadas de micronutrientes”, esclarece a nutricionista Flávia Fernandes, do Espaço Valenttina (SP). Segundo ela, na melhor das hipóteses, as doses excedentes são excretadas por meio da urina ou das fezes. Ou seja, seu investimento em complexos vitamínicos não traz vantagem nenhuma. Mas nem sempre o problema fica estacionado na superficialidade do dinheiro jogado fora. Muitas vezes o excesso de nutrientes e vitaminas podem sobrecarregar o organismo, prejudicar o equilíbrio das atividades fisiológicas e até mesmo favorecer a incidência de sintomas desagradáveis e doenças. “As altas doses de proteína estão relacionadas ao desenvolvimento de problemas renais e hepáticos. Muita vitamina C, por exemplo, pode aumentar o risco de catarata”, alerta a nutróloga Daniela Hueb. Existem uma série de outros exemplos onde a sede de se proteger dos mais diversos males com o auxílio de suplementação podem resultar em efeitos colaterais e adversos. O melhor, então, é ter cautela e não correr o risco.

Batalha de titãs
Outro fator que deve ser considerado é que o sistema digestivo possui uma dinâmica complexa. Não basta ingerir um nutriente e esperar seus efeitos positivos.
Acontece que, não raramente, uma substância inibe as funções de outra ou atrapalha sua absorção pelo organismo. Uma das situações clássicas é a competição entre o ferro e o cálcio, que iniciam uma disputa acirrada quando consumidos juntos ou em horários próximos. E nesse caso é o ferro, nutriente indispensável para a o sangue, quem costuma sair perdendo. Portanto, desconfi e daquelas pílulas polivalentes que concentram várias substâncias de uma só vez. É preciso certifi car-se que são respeitadas doses equilibradas para que determinada ação não seja neutralizada.
Os alimentos que compõem a dieta também exercem influência nesse sentido, podendo melhorar ou comprometer a fixação dos micronutrientes no organismo. “Esse conjunto de condições que determinam o que será ou não aproveitado pelo organismo é chamado biodisponibilidade”, explica a nutricionista Flávia Fernandes.

Auxílio indispensável
Efeitos colaterais, mau aproveitamento dos nutrientes, disputa entre a dieta e os complexos vitamínicos. Diante de tudo isso, você já deve estar convencida de que a melhor opção é procurar orientação profi ssional antes de consumir qualquer suplemento, por mais inofensivo que pareça.
Então, se deseja descobrir o que esse arsenal nutritivo pode fazer por você, agende já uma consulta. “O médico ou o nutricionista farão uma investigação para levantar suas carências nutricionais. Para isso, são necessários exames clínicos e uma anamnese alimentar que revela possíveis hábitos nocivos. Feito isso, são orientados alguns ajustes na dieta e, se houver a necessidade, o emprego da suplementação”, explica a médica nutróloga Daniela Hueb.
Além de ajudar na escolha dos produtos certos, esse acompanhamento garante a administração das doses ideais, que podem ser bem diferentes das descritas no rótulo do produto. “Não existe indicação global, algo que funciona bem para todos. Isso varia de acordo com o peso, as condições de saúde, a dieta e a rotina de exercícios de cada pessoa”, complementa a nutróloga.
Mas fique atenta: seu corpo costuma dar sinais sobre quando a inclusão dos complementos nutricionais se faz necessária. “Sintomas como queda cabelo, unhas fracas, cansaço excessivo, pele muito ressecada e predisposição a gripes e resfriados são indicativos importantes e que pedem investigação”, alerta Cristina Corrêa.

POR DENTRO DOS NUTRIENTES
Algumas vitaminas e minerais estão entre os mais utilizados nos suplementos nutricionais, já que desempenham papéis importantes no organismo. conheça melhor alguns deles e quais as necessidades diárias para a nossa saúde:

VITAMINA C
Função no organismo: é indispensável para a absorção do ferro. tem ação antioxidante e aumenta a resistência.
Necessidade diária: 75 mg, o equivalente a uma acerola ou a uma xícara de morangos.
Seu déficit provoca: deficiências na resposta do sistema imunológico, problemas na gengivas e na pele.
Principais fontes em alimentos: acerola, laranja, limão, mamão, caju, melão, morango, batata, vegetais verde escuro.

VITAMINA B1 2
Função no organismo: Atua no metabolismo das proteínas, contribuindo para a absorção dos aminoácidos pelo organismo. tem participação na formação dos glóbulos vermelhos.
Necessidade diária: 2,4 mg, o equivalente a duas porções (200 g) de carne vermelha ou dois ovos.
Seu déficit provoca: anemia, irritabilidade e distúrbio gástrico.
Principais fontes em alimentos: carne vermelha, ovos, ostra, peixe, leite e cereais integrais.

VITAMINA E
Função no organismo: ação antioxidante, ajuda a regular o sistema imunológico e protege as hemácias.
Necessidade diária: 15 mg, o equivalente a uma colher de chá de óleo de girassol ou duas unidades de amêndoa seca.
Seu déficit provoca: danos neurológicos e musculares.
Principais fontes em alimentos: gema de ovo, gérmen de trigo, nozes e amendoim.

LICOPENO
Função no organismo: prevenir tumores e doenças cardíacas.
Necessidade diária: 40 mg, o equivalente a uma unidade média de tomate, de duas colheres de sopa de polpa de tomate ou ainda de duas unidades de goiaba vermelha.
Seu déficit provoca: ainda não há prejuízos descritos. você apenas deixa de contar com a funcionalidade da substância.
Principais fontes em alimentos: tomate, melancia, goiaba vermelha, beterraba e pimentão vermelho.

COLÁGENO
Função no organismo: dá sustentação às células, conferindo firmeza à pele. também tem ação importante no desenvolvimento da massa muscular e na vitalidade de cabelos e unhas.
Necessidade diária: 10 g, o equivalente a 500 g de gelatina ou a 50 g de carne vermelha.
Seu déficit provoca: flacidez, rugas prematuras, fragilidade articular e óssea e diminuição da espessura do fi o capilar.
Principais fontes em alimentos: carnes de maneira geral, mas especialmente a vermelha, e gelatina.

CÁLCIO
Função no organismo: manter a estrutura dos ossos e dentes e regular a contração muscular e a secreção de hormônios.
Necessidade diária: 1g, o equivalente a 250 ml de leite desnatado + um pote de iogurte natural + duas colheres de feijão.
Seu déficit provoca: agitação, unhas quebradiças, propensão a cáries, osteoporose e hipertensão.

Principais fontes em alimentos: leite e seus derivados.

Será que eu preciso mesmo?
Algumas particularidades podem fazer de você uma séria candidata a precisar de uma forcinha dos suplementos nutricionais para que seu organismo funcione perfeitamente bem. Veja abaixo quais são os principais casos e descubra se você está nessa lista ou não:
• Pessoas cujo cardápio diário não atinge 1200 calorias;
• Vegetarianos, já que a carne (branca ou vermelha) é a principal fonte de nutrientes como a vitamina B12;
• Quem segue dieta restritiva por motivo de doença, ou incompatibildiade do paladar, onde não entram frutas e verduras;
• Atletas que têm um gasto calórico aumentado;
• Mulheres grávidas ou que planejam engravidar em breve.

FERRO
Função no organismo: atua na produção dos glóbulos vermelhos e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo.
Necessidade diária: 18 mg, o equivalente a 100 g de fígado de frango + uma concha de lentilha + um prato de salada de agrião.
Seu déficit provoca: anemia, fraqueza, sonolência, cefaléia, além de unhas e cabelos fracos.
Principais fontes em alimentos: fígado, sardinha, gema de ovo, castanha de caju, nozes, amêndoas e vegetais que possuam folhas verdes escuras, como escarola e couve.

ZINCO
Função no organismo: manutenção e desenvolvimento normal do organismo e regulagem do sistema imunológico.
Necessidade diária: 8 mg, o equivalente a quatro colheres de sopa de farelo de aveia + uma copo de leite desnatado.
Seu déficit provoca: distúrbios de crescimento, falta de apetite, diarreia crônica e impotência sexual.
Principais fontes em alimentos: carne vermelha, ostra, salmão, arroz, amêndoas, banana e alcachofra.

SELÊNIO
Função no organismo: bom funcionamento do sistema imunológico e das glândulas da tireoide. também tem relação com o apetite sexual, a neutralização dos radicais livres e a prevenção de males cardiovasculares vindos do colesterol.
Necessidade diária: 55 mg, o equivalente a três castanhas do pará ou 100 g de salmão.
Seu déficit provoca: alteração na tireoide e no coração.
Principais fontes em alimentos: castanha do brasil, frutos do mar, carnes, grãos e sementes.

Alimento enriquecido
Pensando em melhorar a dieta das consumidoras, o mercado alimentício não para de lançar produtos que contam com algum bônus nutricional: é iogurte enriquecido com vitaminas, cereal com ferro, leite com colágeno… Mas será que essas novidades recebem carta branca dos especialistas? “Nesse caso, trata-se de alimentos funcionais que seguem as recomendações diárias previstas para cada nutriente, sem concentrações muito altas. Então, não há problemas”, afirma a nutricionista Cristina Corrêa.

CÁPSULAS TURBINADAS
Conheça alguns dos produtos que podem ser prescritos por seu médico ou nutricionista para dar aquele up no seu corpo: por dentro e por fora. e não esqueça: nada de consumi-los por conta própria!