Segure os fios!

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Quando você lava o cabelo fica horrorizada ao olhar a quantidade de fios que ficaram no ralo do box? Calma! não pense que está ficando careca, você pode estar sofrendo de queda de cabelo, e é justamente isto que explicaremos a seguir: como detectar, prevenir e tratar o problema. Suas madeixas agradecem!

Por Malu Bonetto

Não é porque estão caindo alguns fios que você já precisa começar a imaginar como será sua vida sem cabelo. Eles caem sim, em qualquer pessoa e em qualquer estação, mas é preciso ficar atenta à quantidade que está caindo. O normal é que caiam cerca de 50 a 100 fios diariamente. Mas assim que ele cai, outro já iniciou seu processo de produção e logo aparecerá. Aproximadamente 90% dos cabelos do couro cabeludo encontram-se na fase de crescimento, que tem duração de cerca de dois a seis anos. O restante, 10%, encontra-se na fase de repouso, que dura aproximadamente dois a três meses. Este é o ciclo natural dos fios. Mas como saber se o seu cabelo está no ciclo certo e não está com queda acentuada dos fios? “Na consulta médica, fazemos uma avaliação clínica, exame físico do couro cabeludo, pedimos exames de sangue e outros exames mais específicos do couro cabeludo. Com isso conseguimos diferenciar as quedas de cabelo”, explica o tricologista Ademir Jr. (SP). Confira as causas mais comuns da queda:

Alimentação deficiente

Uma dieta em que há falta de nutrientes, como zinco, magnésio e cálcio, pode provocar a queda de cabelo. Já o excesso de substâncias no sangue como cobre também pode acarretar a queda por provocar a chamada anemia hemolítica, doença que destrói as hemáceas, sem interferir na medula. Regimes muito pobres em proteínas e em sais minerais causam queda de cabelo e até mesmo a queda contínua, principalmente em mulheres que fazem dietas muito restritivas. “Como o organismo passa a não ter matéria-prima para a síntese capilar, os fios começam a cair e as unhas ficam quebradiças”, diz a dermatologista Mônica Linhares, do Espaço Saúde Rio (RJ).

Melhor tratamento> é preciso manter uma alimentação balanceada com alimentos ricos em zinco (carne, cogumelo, ovo e germe de trigo), já que ele dá a força aos cabelos; magnésio, que é essencial na formação de proteínas como a queratina, que constitui os fios (frutos do mar, abacate, melão, abacaxi, e nozes); e cálcio, que em deficiência torna os cabelos finos e quebradiços (leite e derivados, salmão e sardinha).

 

Vida estressante

O estresse, segunda maior causa de queda capilar, provoca um fenômeno chamado de eflúvio telógeno, quando os fios pulam da fase de crescimento para a de repouso, antecipando a queda. Possivelmente, ele aumenta o nível de cortisol que favorece a queda.

Melhor tratamento>praticar exercícios físicos, manter o bom equilíbrio emocional e boa conduta para gerar a noradrenalina e adrenalina, que favorecem a circulação e, consequentemente, a nutrição e absorção de elementos ativos ao fio e bulbo, que podem reverter esse quadro. Quando isto não é suficiente, são indicadas sessões quinzenais de carboxiterapia (através da injeção de gás carbônico há a melhora da circulação sanguínea e, consequentemente, melhora na nutrição dos folículos e nascimento dos fios).

 

Química, secador e escova

Algumas químicas acabam deixando o cabelo ressecado e quebradiço, interferindo na qualidade da haste capilar e permitindo que os fios se partam. Daí a importância de fazer o teste da mecha e verificar a elasticidade do fio. Já o calor do secador pode queimar o couro cabeludo e roubar água do fio, deixando-o ressecado e suscetível à quebra; a fricção da escova lasca a cutícula (camada que protege o fio), fragilizando-o ainda mais; e a tração, seja provocada por escova, elástico ou trança, pode levar à perda da raiz com o passar dos anos.

Melhor tratamento> é importante manter os fios bem hidratados com produtos específicos para seu tipo, é uma maneira de fortalecer a fibra capilar. Se os fios estão muito quebradiços, não há como fugir da tesoura para que eles cresçam mais saudáveis.

 

Medicamentos para emagrecer

“Eles estimulam a produção de radicais livre, pioram o quadro de dermatites preexistentes, reduzem a atividade dos tecidos do corpo, produzem elevado grau de estresse físico e psíquico que favorecem a queda capilar”, explica o Dr. Ademir Jr.

Melhor tratamento> alguns medicamentos interferem na síntese capilar, encurtando a fase de crescimento. Como temos uma perda natural diária, com este encurtamento causado pelos medicamentos não dá tempo suficiente para que os cabelos cresçam. Nestes casos, o melhor é o uso de ativos tópicos para estimular o crescimento e assim que possível suspender o uso da medicação.

 

Menopausa

Quando os hormônios estão em desequilíbrio no organismo, como na menopausa, há maior quantidade de queda capilar. Mesmo porque o desequilíbrio hormonal é causado pelo aumento do hormônio DHT, que, em maior quantidade, atrofia a raiz dos fios.

Melhor tratamento> sessões de laser frio de diodo para estimular o crescimento dos fios. Com isso, há um aumento da circulação e ocorre uma maior resistência e vitalidade aos fios já existentes, deixando-os mais fortes e brilhantes.

 

Anemia e hipotireoidismo

Algumas doenças como hipotireoidismo e anemia interferem na síntese capilar. No caso da anemia, a baixa quantidade de hemoglobina no sangue prejudica a quantidade de oxigênio para o bulbo capilar, quebrando e afinando o fio.

Melhor tratamento> o Laser Capilar atua como anti-inflamatório, aumenta a capacidade de nutrição celular, entre outros. “Ele é indicado para diversos tipos de tratamentos, inclusive os de eflúvio telógeno (queda intensa), provocados pelo estresse, deficiência de ferro, problemas com a tireóide, entre outros”, explica a terapeuta capilar Sheila Bellotti, especializada em Tricologia (RJ).

 

Gravidez

Estima-se que aproximadamente 85% das mulheres sofrem de queda capilar, em maior ou menor grau, após o parto. Esse problema tende a aparecer nas jovens mamães porque com o aumento de hormônios femininos e outras alterações hormonais fisiológicas comuns na gestação, os fi os ganham um efeito protetor natural que evita a queda e transmite a sensação de cabelos mais fortes e viçosos. Durante o período da amamentação, os fios antes fortificados, tendem a enfraquecer e cair durante um período de três a seis meses após a gestação.

Melhor tratamento> em mulheres que não apresentam nenhum problema anterior ou genético de queda e calvície, esse processo é autolimitado e para espontaneamente depois de algumas semanas ou meses do parto. Se a situação não se normalizar naturalmente, é indicado procurar um dermatologista para realizar exames e investigar possíveis causas que estejam agravando o problema, como deficiência de vitaminas, ferro e proteínas. Além disso, podem ser realizados tratamentos de estímulo capilar, como peeling capilar e massagens estimuladoras. Entre as novas tecnologias, o laser de baixa potência apresenta bons resultados nessas pacientes.

 

Arsenal poderoso contra a queda

“Qualquer queda de cabelo, desde que bem diagnosticada, pode colher benefícios com o uso de medicamentos e complementos cosméticos e dermocosméticos. Porém, deve-se deixar claro que a melhor forma de tratar um paciente com queda é utilizando produtos que eliminem a causa do problema, ou que, pelos menos, mantenham-na sob controle”, alerta o tricologista ademir Jr. (sP). Muitas vezes utilizam-se condicionadores, xampus, silicones, gel, uma infinidade de cosméticos na tentativa de reverter este quadro. Porém, o uso errado ou exagerado dos mesmos, prejudica ainda mais os fios e também o couro. “alguns ativos como vários jaborandi, cisteína, piridoxina, D-Pantenol, vitaminas, aminoácidos, fitoterápicos, ácido cítrico, cafeína, biotina, ácido láurico, auxiliam em qualquer tratamento para queda de cabelos desde que associados ás terapias citadas”, comenta a terapeuta capilar Sheila Bellotti, especializada em tricologia (RJ).

 

Quando a genética fala mais alto

Se há casos de calvície na família fique atento! “A hereditariedade é uma grande responsável pela queda, fato que se dá quando o hormônio testosterona se encontra com uma das enzimas que temos no organismo chamada 5 alfa-redutase e forma a dihidrotestosterona, responsável pelo afinamento, rarefação e queda dos fios”, explica a terapeuta capilar Sheila Bellotti. “Nas mulheres, a calvície, geralmente, é apresentada por rareamento mais avançado na parte frontal, mas também pode apresentar falhas em todas as partes da cabeça. Nos dois casos o transplante capilar é indicado, mas é necessário avaliação para verificar se há uma área doadora e as condições da área receptora”, comenta o médico Humberto Moraes e Silva, da Clínica Più Vivere (DF). Para recorrer ao transplante é preciso ter uma boa quantidade de cabelos na região lateral e posterior da cabeça, considerada área doadora para a cirurgia.

 

Em busca de novos fios

Há basicamente dois métodos de retirada da área doadora, um conhecido como corte de retalho, e outro como FUE ou Extração de Unidade Folicular. No método por corte de retalho, é retirada uma tira do couro cabeludo da região lateral e posterior da cabeça, que é a área doadora, geralmente é feito com anestesia geral, dura em média quatro a seis horas, tem necessidade de internação curta, e deixa uma cicatriz linear na região posterior da cabeça. “Já o método FUE ou Extração de Unidades Foliculares, utiliza um equipamento para a retirada dos folículos um a um da região lateral e posterior da cabeça, que é a área doadora, é feita com anestesia local, dura em média de duas a quatro horas, não necessita de internação, não deixa cicatrizes lineares, não tem perda de área doadora, permitindo mais que uma sessão ao longo da vida”, explica a tricoterapeuta Nina Fachinetto, da Clinica Più Vivere. A quantidade de sessões depende do tamanho da área calva e também da qualidade da área doadora, mas em uma sessão é possível transplantar de três a seis mil fios de cabelos, desde que a área doadora seja boa, tenha uma boa quantidade de bulbos capilares para ser retirados. “Quando for necessário mais de uma sessão, é bom aguardar por dez meses a um ano para fazer outra sessão”, complementa. O resultado depende de alguns fatores como a qualidade da área doadora, posicionamento da colocação dos folículos, inclinação dos folículos, etc. Escolher profissionais com experiência na cirurgia é uma parte importante do resultado, seguir as recomendações para os cuidados pós-operatório e tomar os cuidados sugeridos pelo profissional. O cabelo transplantado começa a nascer a partir do terceiro ou quarto mês após o procedimento cirúrgico. Por volta de cinco a seis meses, tem-se uma boa quantidade de cabelos já nascidos. Mas o melhor resultado se vê entre sete meses a um ano após o procedimento. A manutenção do cabelo transplantado é igual a manutenção dos restante dos cabelos, apenas é recomendado, após o transplante, fazer terapias de fortalecimento dos cabelos, pois os cabelos que ainda são originais na região próxima à calvície podem cair, caso a calvície ainda não esteja definida, é comum em casos de rareamento.